Para passar dias com namorada, mulher deixa menino de 7 anos trancado em casa sozinho
Vania Cunha
Rio - Pela grade de uma pequena casa, em Rio das
Pedras, Jacarepaguá, o menino D., de 7 anos, acompanhava assustado a
movimentação do lado de fora.
Os olhinhos arregalados viram vizinhos, policiais
da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV) e um chaveiro
acionado pela polícia para abrir a porta de ferro do imóvel,
segunda-feira.
Mesmo confuso, o menino entendeu que
estava, finalmente, sendo resgatado do cativeiro imposto quatro dias
antes por sua própria mãe. Cleidiana Maria Cardiais da Silva, 33, deixou
o filho trancado em casa, sozinho, e foi passar o feriado prolongado
com a namorada.
Vizinhos passavam comida para o menino através da grade da pequena casa, em Rio das Pedras, Jacarepaguá
Foto: Reprodução
A polícia foi acionada pelo Disque 100.
Segundo o delegado Marcello Braga Maia, durante os quatro dias, o
pequeno D. se alimentava só uma vez por dia, com alimentos dados por
vizinhos através da grade.
“Ali não tem como passar um prato de comida, só
pães e refresco. Aparentemente, ele não estava desnutrido, mas não
sabemos se tomou banhou ou dormiu”, contou o policial.
Após o resgate, às 15h30 de segunda, o menino foi
levado para a delegacia, que acionou o Conselho Tutelar. Ele foi
alimentado e contou que a mãe o deixara em casa às 12h30 de quinta-feira
e não voltara mais.
A guarda provisória da criança e de um irmão de 13 anos que foi levado com a mãe durante o feriado foi entregue ao pai.
Cleidiana foi indiciada por maus tratos, abandono
de incapaz e material, crimes com penas de 1 ano e seis meses a 8 anos
de prisão. A criança vai ter o apoio de psicólogos. Vizinhos também vão
depor no inquérito aberto na DCAV. Hábito de deixar o filho abandonado
Intimada, Cleidiana compareceu à delegacia no dia
seguinte. Contou que foi para Quintino e deu R$ 50 para uma vizinha —
que mora lá há um mês e conhece só pelo apelido de tia — para cuidar do
menino. À polícia, a vizinha de 70 anos alegou ter dito que não teria
condições de cuidar de D.
“A mãe demonstrou frieza e nenhum arrependimento.
Disse que sempre o deixa trancado quando está de folga e vai para
festas. Ela trabalha como garçonete de madrugada e tem o hábito de
deixar os filhos sozinhos e trancados”, contou o delegado.
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