O texto-base, de autoria do deputado Carlos Zarattini, do PT de São Paulo, é visto como pró-táxi. Propõe medidas de regulamentação que enquadrariam os aplicativos e os submeteriam à legislação de cada município onde atuassem. Esta foi, inclusive, uma das três propostas alteradas no plenário do Senado. Os senadores decidiram que as prefeituras poderão fiscalizar o transporte feito pelos aplicativos, mas não terão autonomia para conceder liberações nem limitar concessões a quem quiser trabalhar para as empresas.
O Senado sinalizava manter o texto-base da Câmara, sem alterações. Na semana passada, aprovou um requerimento de urgência que liberava o projeto de passar por comissões. Sem mudanças, e aprovado, poderia ir direto para sanção do presidente da República, que vetaria os dois pontos mais polêmicos. Mas o governo preferiu não se indispor com nenhum dos dois lados e saiu fora do acordo.
A pressa dos defensores do projeto em aprová-lo sem mudanças no Senado era evitar que, voltando para a Câmara, só entrasse na pauta em 2018, ano eleitoral em que os parlamentares evitam a votação de temas polêmicos que possam desagradar seu eleitorado.
Designado por Eunício, o relator do PLC 28 no Senado, Eduardo Lopes, do PRB do Rio de Janeiro, foi o autor das emendas que propuseram mudanças no projeto. Para ele, não se pode dar as costas para o avanço das tecnologias.
“É uma realidade, a modernidade existe. Em alguns momentos não se consegue lutar contra ela. Por quê? Porque é uma modernidade venceu. Então, claro, a ideia do aplicativo é boa. O que nós tratamos aqui é de regulamentar para que possa ter equilíbrio”
Ainda de acordo com o projeto, os carros das empresas como Uber, Cabify e 99 só poderão rodar nos municípios onde foram emplacados, assim como os táxis. O texto-base do PLC 28 volta agora para a apreciação da Câmara dos Deputados direto para plenário. Lá, poderá ser todo modificado ou mantido, de acordo com a decisão da maioria dos 513 deputados. Ficará a cargo do presidente da Casa, Rodrigo Maia, do DEM do Rio de Janeiro, colocá-lo na pauta. O que, ao que tudo indica, só deverá ocorrer no ano que vem, depois do recesso parlamentar de janeiro.


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