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Justiça determina implantação de ponto eletrônico nos hospitais federais do Rio

Justiça determina implantação de ponto eletrônico nos hospitais federais do Rio

Liminar atende pedido do MPF que visa coibir fraudes do ponto manual e o pagamento indevido de plantões não realizados

A Justiça Federal concedeu liminar determinando à União a implantação efetiva, no prazo de 90 dias, do controle eletrônico de frequência (biométrico) em todos os hospitais federais e institutos vinculados ao Ministério da Saúde no Rio de Janeiro. A medida torna obrigatório o uso do ponto eletrônico para a aferição da frequência de todos os servidores da área da saúde. A liminar determina ainda que a União apresente, em até 30 dias, o cronograma para efetiva implementação da medida.

A decisão abrange os Hospitais Federais do Andaraí, Bonsucesso, Cardoso Fontes, da Lagoa, de Ipanema, dos Servidores do Estado, além do Instituto Nacional de Cardiologia, Instituto Nacional do Câncer e Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia. Em caso de descumprimento, a Justiça fixou multa diária de R$ 5 mil à União, de forma solidária com cada um dos gestores que descumprirem a decisão, sem prejuízo das sanções administrativas e penais dos gestores públicos.

A ação foi movida pelo Ministério Publico Federal do Rio de Janeiro

Entenda o caso - O MPF vem acompanhando a questão desde 2013 e na ação demonstra que em 2012 o Ministério da Saúde estabeleceu a obrigatoriedade do ponto eletrônico, assim como o Tribunal de Contas da União (TCU), em decisão proferida no ano seguinte. Entretanto, as unidades de saúde federais do Rio ainda não implementaram efetivamente o sistema, protelando de todas as formas o seu início, em clara afronta às determinações do TCU e do Ministério da Saúde.

A ação também se baseou em representação encaminhada ao MPF pela diretora geral do Hospital Federal de Bonsucesso, que afirma que a falta de assiduidade dos médicos é um dos principais problemas da unidade de saúde, uma vez que há a prática antiga de não comparecimento aos plantões com habitualidade, sem o devido desconto financeiro, por anuência dos chefes,corroborando os fatos apurados pelo Ministério Público. De acordo com a diretora, as faltas frequentes contribuem para a superlotação da emergência e comprometem o tratamento dos pacientes internados, levando a óbitos sem a devida assistência médica.

Apuração da Controladoria Geral da União (CGU) revelou também que houve pagamento de Adicional de Plantão Hospitalar (APH) a médicos que não compareciam ao serviço, mas recebiam suas remunerações, além dos valores do adicional. Há profissionais que teriam recebido cerca de R$ 50 mil no primeiro semestre de 2017, sem que tivessem trabalhado em plantões nesse período.

Para procuradora da República Marina Filgueira, a ausência de um sistema de controle eficiente da jornada de trabalho sobrecarrega os servidores que cumprem a carga horária e se dedicam ao seu mister, beneficiando aqueles que violam as regras de controle.  Há um evidente prejuízo à qualidade dos serviços de saúde. O controle de frequência por meio de folhas de ponto manuais favorecem irregularidades como preenchimentos retroativos e inconsistentes com a realidade.

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