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Pesquisa revela hábitos culturais dos moradores do Rio de Janeiro

Pesquisa revela hábitos culturais dos moradores do Rio de Janeiro

Maior levantamento sobre o tema já feito no Brasil, Cultura nas Capitais analisa o comportamento cultural de moradores das 26 capitais e do Distrito Federal;  

Capital fluminense tem acesso acima da média das capitais na maioria das 14 atividades pesquisadas;    

Moradores do Rio estão entre os que mais frequentam cinema, museus e teatros no Brasil;  

Áreas mais populosas são as de menor acesso cultural;

Carnaval é considerado o evento cultural mais importante da cidade;

MPB, pagode e gospel são os gêneros musicais preferidos.

Pesquisa revela hábitos culturais dos moradores do Rio de Janeiro
Levantamento detalha disparidades regionais e revela impactos da educação e renda no acesso à cultura; estudo contou com 19.500 entrevistas presenciais nacionalmente; na cidade do Rio de Janeiro, foram ouvidas 1.500 pessoas.  
 
A mais recente edição da pesquisa Cultura nas Capitais, realizada pela JLeiva Cultura & Esporte, revela que a atividade cultural mais praticada pelos moradores da cidade do Rio de Janeiro é a leitura de livros: 67% dos entrevistados se dedicaram à leitura no último ano. Já o ritmo musical preferido na capital fluminense é a MPB: 39% dos entrevistados citaram o gênero como favorito.  

Essas são algumas das descobertas da pesquisa inédita da JLeiva Cultura & Esporte, com patrocínio do Itaú e do Instituto Cultural Vale por meio da Lei Rouanet, Lei Federal de incentivo à Cultura do Ministério da Cultura. O projeto também contou com a parceria da Fundação Itaú. O maior levantamento já realizado sobre os hábitos culturais dos brasileiros ouviu mais de 19.500 pessoas moradoras de todas as capitais e do Distrito Federal e abordou 1.500 moradores do Rio de Janeiro, entre fevereiro e abril de 2024, sobre suas práticas culturais ao longo dos 12 meses anteriores.    

O estudo aponta que o percentual de cariocas que acessam atividades culturais iguala ou supera a média registrada nas 27 capitais em 12 das 14 atividades pesquisadas. Apenas em apresentações de dança e saraus os resultados ficaram abaixo da média nacional, e, ainda assim, dentro da margem de erro. O Rio de Janeiro lidera o acesso a cinema (57%) e teatro (32%) entre todas as capitais.
    

27 capitais 

Rio de Janeiro 

Diferença (em pontos percentuais) 

Livros 

62% 

67% 

5% 

Jogos eletrônicos 

51% 

56% 

5% 

Cinema 

48% 

57% 

9% 

Locais históricos 

45% 

54% 

8% 

Shows 

41% 

45% 

4% 

Festas populares 

36% 

40% 

4% 

Museus 

27% 

35% 

8% 

Bibliotecas 

25% 

25% 

0% 

Teatro 

25% 

32% 

7% 

Dança 

24% 

23% 

-1% 

Feiras de livro 

21% 

24% 

2% 

Circo 

14% 

14% 

0% 

Sarau 

12% 

11% 

-1% 

Concerto 

8% 

8% 

0% 


A pesquisa, que, além do acesso, também avaliou o interesse e a prática de atividades culturais, traz um retrato detalhado dos hábitos dos cariocas, destacando tanto os avanços quanto as disparidades regionais e a exclusão. Além disso, o estudo revela que o Carnaval é considerado o evento cultural mais importante da cidade, enquanto a feijoada foi eleita o prato mais representativo do Rio.

Acesso à cultura no Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro se sai bem no comparativo com outras capitais, especialmente no que diz respeito ao acesso a atividades culturais. Em nenhum dos casos pesquisados os índices de exclusão (pessoas que nunca foram a determinada atividade) são piores do que a média das capitais. Além de liderar em cinema e teatro, a capital fluminense também se destaca em outras atividades, como leitura de livros (67%), jogos eletrônicos (56%) e visitas a locais históricos (54%).

No entanto, algumas atividades apresentam índices mais baixos de participação. Concertos de música clássica (8%) e saraus (11%) são as menos frequentadas, com 67% e 62% dos entrevistados, respectivamente, afirmando nunca terem participado dessas atividades. Já as festas populares e shows de música têm participação de 40% e 45% dos entrevistados, respectivamente.

Desigualdades regionais

A pesquisa permite uma análise comparativa entre as regiões da capital fluminense, revelando disparidades significativas. Enquanto a Zona Sul apresenta os maiores índices de acesso cultural, com 74% dos moradores indo ao cinema, por exemplo, regiões como Bangu e Santa Cruz registram percentuais abaixo de 50% para a mesma atividade (acesso de 47% em ambas as regiões). A Zona Sul está numericamente à frente das demais em oito das 14 atividades pesquisadas; enquanto a região da Tijuca/Vila Isabel se destaca em acesso a jogos eletrônicos, bibliotecas e concertos. Já a Barra da Tijuca apresenta altos percentuais de acesso à leitura e ao circo.

Essas diferenças regionais refletem a distribuição desigual de infraestrutura cultural pela cidade. Para 50% dos entrevistados, as atividades culturais que frequentam acontecem longe do bairro onde moram, enquanto apenas 15% afirmam que essas atividades ocorrem no próprio bairro. 

Comparativo 2015 x 2017 x 2024

Esta é a quarta edição da pesquisa no Rio de Janeiro, permitindo uma análise temporal do acesso à cultura. Na primeira vez que Cultura nas Capitais ouviu os moradores do Rio, em 2013, as perguntas foram formuladas de modo diferente, de forma que os resultados não são diretamente comparáveis. Mas os dados das outras três pesquisas (2015, 2017 e, agora, 2024) indicam que, na maioria das atividades, os percentuais de acesso atingiram seu menor nível em 2024. A exceção é o caso dos jogos eletrônicos, que tiveram um aumento de mais de dez pontos percentuais desde 2015.

As quedas mais significativas foram observadas no acesso ao cinema (de 66% em 2015 para 57% em 2024), bibliotecas (de 33% para 26%) e dança (de 35% em 2017 para 23% em 2024). Festas populares e shows de música também apresentaram queda quando comparados aos dados de 2015, embora tenham se mantido estáveis em relação a 2017.

Público potencial

A pesquisa também avaliou o interesse dos cariocas por cinco atividades culturais: shows de música, festas populares, museus, teatro e dança. Os resultados mostram que, se o público potencial (pessoas que não frequentaram, mas têm alto interesse) fosse convertido em público real, o acesso a essas atividades poderia dobrar. Por exemplo, enquanto 23% dos entrevistados foram a espetáculos de dança, 28% não foram, mas manifestaram interesse em participar. No caso do teatro, 32% foram a alguma apresentação, mas 30%, apesar de não terem ido, disseram que gostariam de ir.

Teatro e museus: hábitos e preferências

No que diz respeito ao teatro, 32% dos cariocas afirmaram ter ido a alguma apresentação nos 12 meses anteriores à pesquisa. Desses, 67% assistiram a peças para adultos, 51% a musicais e 50% a comédias stand-up. A maioria não vai sozinha: 37% costumam ir em família com crianças, 27% em casal e 17% com amigos. Entre os que não foram ao teatro, as principais razões citadas foram questões econômicas (31%), falta de tempo (30%) e falta de interesse (25%).

Já os museus foram visitados por 35% dos entrevistados. O CCBB foi o mais citado, com 20% das respostas. No total, 86 espaços culturais foram mencionados. A maioria das visitas (60%) foi gratuita, e 16% dos entrevistados disseram ter acessado o site de um museu para conhecer suas coleções. Apesar da alta taxa de conhecimento, muitos espaços icônicos, como o Museu do Amanhã, o Theatro Municipal e o MAM, nunca receberam visita de cerca de metade da população carioca. 

Música e audiovisual

A pesquisa também investigou os hábitos musicais dos moradores do Rio. MPB (39%), Pagode (27%) e Gospel (25%) são os estilos preferidos. A maioria consome música por meio de celulares (85%) e utiliza aplicativos como YouTube (68%), Spotify (46%) e TikTok (25%).

No campo do audiovisual, 57% dos entrevistados disseram ter ido ao cinema pelo menos uma vez no último ano, índice nove pontos percentuais acima da média nacional (48%). A TV é o aparelho mais usado para assistir filmes e séries (85%), seguida do celular (55%). As plataformas de streaming (53%) são as mais utilizadas, à frente da TV por assinatura (49%) e da TV aberta (37%).

Festas populares e eventos culturais

As festas juninas são as mais frequentadas pelos cariocas, com 77% de participação, enquanto o Carnaval atrai 57% (blocos ou desfiles). Além disso, os entrevistados citaram 87 manifestações populares, com destaque para festas religiosas (13%). Porém quando perguntados sobre o evento cultural mais importante da cidade, o Carnaval foi o mais citado.

Práticas culturais e motivações

A pesquisa também investigou a prática de atividades culturais. 36% dos cariocas disseram praticar alguma atividade ligada à cultura, como dança, artesanato ou música. A principal motivação citada foi o cuidado com a saúde mental (48%), evidenciando a importância dessas atividades para o bem-estar.

Seminários nas capitais  

O projeto Cultura nas Capitais contempla seminários em todas as cidades analisadas pela pesquisa. Confira as datas já definidas:  

    3 de fevereiro - São Paulo - Itaú Cultural  (já realizado)

    6 de fevereiro - Curitiba - Capela Santa Maria (já realizado)

    11 de fevereiro - Belém - Sesc Ver-o-Peso  (já realizado)

    19 de fevereiro - Rio de Janeiro - Museu do Amanhã  

    26 de fevereiro - Brasília - IPEA  

    12 de março - Belo Horizonte - Sesc Palladium 

Os demais seminários serão anunciados gradativamente.

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