Mais agressivos e com mais chances de mutações genéticas, o câncer de mama em mulheres jovens apresenta altas taxas de cura
A neta de Carlos Alberto de Nóbrega, Bruna Furlan, recebeu um diagnóstico de câncer de mama aos 24 anos.
Segundo a página do UOL, Bruna está com um carcinoma mamário invasivo com metástase, com início de tratamento previsto para os próximos meses.
Segundo o PhD e MD em Oncologia, o cirurgião oncologista e mastologista Dr. Wesley Pereira Andrade, o câncer de mama antes dos 30 anos é raro, mas quando ocorre tem características próprias que exigem investigação genética cuidadosa, abordagem multidisciplinar e planejamento terapêutico individualizado.
“Menos de 1% dos casos de câncer de mama ocorrem em mulheres abaixo dos 30 anos. Abaixo de 25 anos de idade, essa incidência é ainda mais baixa. Embora seja uma condição incomum, o câncer de mama em mulheres jovens costuma ser identificado tardiamente. A combinação de baixa suspeição clínica — por parte das pacientes e do sistema de saúde — e da elevada densidade mamária, que limita a acurácia dos exames convencionais, contribui para atrasos diagnósticos potencialmente graves”, comentou o médico.
Chance de mutação genética
Em mulheres jovens, a probabilidade de predisposição hereditária é significativamente maior do que na população geral. Aproximadamente 20–40% das pacientes com câncer de mama com menos de 30 anos apresentam mutação germinativa identificável.
As mutações mais frequentes incluem:
BRCA1 (mais associada a tumores triplo-negativos); BRCA2; TP53 (Síndrome de Li-Fraumeni) e PALB2, CHEK2, ATM (menos comuns, mas relevantes).
“A testagem genética é fortemente indicada para TODAS as pacientes com câncer de mama diagnosticado antes dos 35 anos, independentemente de história familiar”, complementa ele.
Características biológicas do tumor
Tumores em mulheres muito jovens tendem a ser mais agressivos e com maior frequência de grau histológico alto, índice proliferativo elevado (Ki-67), subtipos triplo-negativo ou HER2 positivo e menor proporção de tumores luminais de baixo risco.
Diagnóstico
O diagnóstico do câncer de mama em mulheres jovens exige uma abordagem criteriosa e integrada. A ultrassonografia mamária costuma ser o exame inicial mais útil nessa faixa etária, por sua maior sensibilidade em mamas densas e pela capacidade de caracterizar nódulos sólidos e císticos.
A mamografia, embora muitas vezes subestimada em mulheres jovens, permanece importante e não deve ser negligenciada, especialmente diante de achados suspeitos ou fatores de risco associados. A ressonância magnética das mamas desempenha papel fundamental, sendo essencial para o estadiamento da doença, a avaliação da extensão tumoral e a identificação de multifocalidade ou multicentricidade, além de auxiliar no planejamento terapêutico. Independentemente dos métodos de imagem, a biópsia percutânea é indispensável para o diagnóstico definitivo, devendo sempre ser realizada diante de nódulos suspeitos, pois somente a confirmação histopatológica permite definir com segurança a conduta adequada.
De acordo com o especialista, o tratamento do câncer de mama em mulheres jovens segue os mesmos princípios oncológicos aplicados a outras faixas etárias, porém envolve maior complexidade em razão da idade, do perfil biológico frequentemente mais agressivo dos tumores e das implicações reprodutivas e psicossociais. “A cirurgia constitui a principal modalidade terapêutica nesse grupo de pacientes, podendo ser realizada na forma de cirurgia conservadora da mama ou mastectomia/adenomastectomia, de acordo com a extensão da doença, a relação tumor-mama e a presença ou não de mutações genéticas associadas a maior risco, como as mutações em genes de predisposição hereditária”, adverte.
O tratamento sistêmico é frequentemente indicado como complemento à abordagem cirúrgica. A quimioterapia é amplamente utilizada e pode ser administrada antes da cirurgia, com o objetivo de reduzir o volume tumoral e permitir procedimentos mais conservadores, ou após a cirurgia, como tratamento adjuvante para reduzir o risco de recidiva. Nos tumores com receptores hormonais positivos, a hormonioterapia é indicada, geralmente associada à supressão ovariana, estratégia particularmente relevante em mulheres jovens. A imunoterapia pode ser considerada em situações selecionadas, especialmente nos casos de câncer de mama triplo-negativo, conforme critérios clínicos e biológicos específicos.
A radioterapia é indicada de acordo com o estadiamento da doença e o tipo de cirurgia realizada. É obrigatória nos casos de cirurgia conservadora da mama e pode ser recomendada após a mastectomia em situações específicas, como tumores localmente avançados ou presença de fatores de alto risco para recorrência.
“A idade jovem, por si só, não constitui um fator prognóstico isolado no câncer de mama. No entanto, tumores diagnosticados nessa faixa etária tendem, com maior frequência, a apresentar características biológicas mais agressivas, o que pode se associar a um risco aumentado de recorrência quando o tratamento não é conduzido de forma adequada e individualizada”, alerta Pereira.
Apesar desses desafios, os avanços da oncologia moderna transformaram de maneira significativa o cenário prognóstico dessas pacientes. Estratégias terapêuticas personalizadas, baseadas no perfil molecular do tumor e no estadiamento da doença, permitem hoje excelente controle oncológico e sobrevida prolongada para muitas mulheres jovens.
“Há, contudo, uma mensagem que precisa ser dita com absoluta clareza: juventude não é sinônimo de sentença. Quando diagnosticado precocemente e tratado com os recursos da medicina contemporânea, o câncer de mama em mulheres jovens apresenta altas taxas de cura, reforçando a importância da atenção aos sinais clínicos, do diagnóstico oportuno e do acesso a tratamento especializado”, conclui.
Segundo a página do UOL, Bruna está com um carcinoma mamário invasivo com metástase, com início de tratamento previsto para os próximos meses.
Segundo o PhD e MD em Oncologia, o cirurgião oncologista e mastologista Dr. Wesley Pereira Andrade, o câncer de mama antes dos 30 anos é raro, mas quando ocorre tem características próprias que exigem investigação genética cuidadosa, abordagem multidisciplinar e planejamento terapêutico individualizado.
“Menos de 1% dos casos de câncer de mama ocorrem em mulheres abaixo dos 30 anos. Abaixo de 25 anos de idade, essa incidência é ainda mais baixa. Embora seja uma condição incomum, o câncer de mama em mulheres jovens costuma ser identificado tardiamente. A combinação de baixa suspeição clínica — por parte das pacientes e do sistema de saúde — e da elevada densidade mamária, que limita a acurácia dos exames convencionais, contribui para atrasos diagnósticos potencialmente graves”, comentou o médico.
Chance de mutação genética
Em mulheres jovens, a probabilidade de predisposição hereditária é significativamente maior do que na população geral. Aproximadamente 20–40% das pacientes com câncer de mama com menos de 30 anos apresentam mutação germinativa identificável.
As mutações mais frequentes incluem:
BRCA1 (mais associada a tumores triplo-negativos); BRCA2; TP53 (Síndrome de Li-Fraumeni) e PALB2, CHEK2, ATM (menos comuns, mas relevantes).
“A testagem genética é fortemente indicada para TODAS as pacientes com câncer de mama diagnosticado antes dos 35 anos, independentemente de história familiar”, complementa ele.
Características biológicas do tumor
Tumores em mulheres muito jovens tendem a ser mais agressivos e com maior frequência de grau histológico alto, índice proliferativo elevado (Ki-67), subtipos triplo-negativo ou HER2 positivo e menor proporção de tumores luminais de baixo risco.
Diagnóstico
O diagnóstico do câncer de mama em mulheres jovens exige uma abordagem criteriosa e integrada. A ultrassonografia mamária costuma ser o exame inicial mais útil nessa faixa etária, por sua maior sensibilidade em mamas densas e pela capacidade de caracterizar nódulos sólidos e císticos.
A mamografia, embora muitas vezes subestimada em mulheres jovens, permanece importante e não deve ser negligenciada, especialmente diante de achados suspeitos ou fatores de risco associados. A ressonância magnética das mamas desempenha papel fundamental, sendo essencial para o estadiamento da doença, a avaliação da extensão tumoral e a identificação de multifocalidade ou multicentricidade, além de auxiliar no planejamento terapêutico. Independentemente dos métodos de imagem, a biópsia percutânea é indispensável para o diagnóstico definitivo, devendo sempre ser realizada diante de nódulos suspeitos, pois somente a confirmação histopatológica permite definir com segurança a conduta adequada.
De acordo com o especialista, o tratamento do câncer de mama em mulheres jovens segue os mesmos princípios oncológicos aplicados a outras faixas etárias, porém envolve maior complexidade em razão da idade, do perfil biológico frequentemente mais agressivo dos tumores e das implicações reprodutivas e psicossociais. “A cirurgia constitui a principal modalidade terapêutica nesse grupo de pacientes, podendo ser realizada na forma de cirurgia conservadora da mama ou mastectomia/adenomastectomia, de acordo com a extensão da doença, a relação tumor-mama e a presença ou não de mutações genéticas associadas a maior risco, como as mutações em genes de predisposição hereditária”, adverte.
O tratamento sistêmico é frequentemente indicado como complemento à abordagem cirúrgica. A quimioterapia é amplamente utilizada e pode ser administrada antes da cirurgia, com o objetivo de reduzir o volume tumoral e permitir procedimentos mais conservadores, ou após a cirurgia, como tratamento adjuvante para reduzir o risco de recidiva. Nos tumores com receptores hormonais positivos, a hormonioterapia é indicada, geralmente associada à supressão ovariana, estratégia particularmente relevante em mulheres jovens. A imunoterapia pode ser considerada em situações selecionadas, especialmente nos casos de câncer de mama triplo-negativo, conforme critérios clínicos e biológicos específicos.
A radioterapia é indicada de acordo com o estadiamento da doença e o tipo de cirurgia realizada. É obrigatória nos casos de cirurgia conservadora da mama e pode ser recomendada após a mastectomia em situações específicas, como tumores localmente avançados ou presença de fatores de alto risco para recorrência.
“A idade jovem, por si só, não constitui um fator prognóstico isolado no câncer de mama. No entanto, tumores diagnosticados nessa faixa etária tendem, com maior frequência, a apresentar características biológicas mais agressivas, o que pode se associar a um risco aumentado de recorrência quando o tratamento não é conduzido de forma adequada e individualizada”, alerta Pereira.
Apesar desses desafios, os avanços da oncologia moderna transformaram de maneira significativa o cenário prognóstico dessas pacientes. Estratégias terapêuticas personalizadas, baseadas no perfil molecular do tumor e no estadiamento da doença, permitem hoje excelente controle oncológico e sobrevida prolongada para muitas mulheres jovens.
“Há, contudo, uma mensagem que precisa ser dita com absoluta clareza: juventude não é sinônimo de sentença. Quando diagnosticado precocemente e tratado com os recursos da medicina contemporânea, o câncer de mama em mulheres jovens apresenta altas taxas de cura, reforçando a importância da atenção aos sinais clínicos, do diagnóstico oportuno e do acesso a tratamento especializado”, conclui.



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