O padre, e autor de mais de 60 livros religiosos publicados, Leonardo Boff, será condecorado com o Prêmio Marielle Franco. A medida é uma iniciativa do Projeto de Resolução 568/23, de autoria da deputada
Renata Sousa (PSol), que a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de
Janeiro (Alerj) aprovou no último dia (11 de fevereiro), em discussão única.
O texto será promulgado pelo presidente em exercício, deputado
Guilherme Delarolli (PL), e publicado no Diário Oficial do Legislativo
nos próximos dias.
A comenda é concedida para personalidades que tenham desenvolvido ou estejam implementando ações de promoção, valorização ou defesa dos direitos humanos no Estado do Rio.
Nascido em Santa Catarina, em 1938, Leonardo Boff, é reconhecido internacionalmente pela sua atuação como defensor dos direitos humanos. Durante os anos acadêmicos, Boff realizou estudos em diferentes estados brasileiros, além de ter se formado em Filosofia, em Curitiba–PR, e em Teologia, em Petrópolis–RJ. Doutorou-se em Teologia e Filosofia pela Universidade de Munique, na Alemanha, em 1970, e ingressou na Ordem dos Frades Menores, franciscanos, em 1959.
Desde 1993, Leonardo Boff integra o corpo docente da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde se tornou professor de Ética, Filosofia da Religião e Ecologia. “A Medalha Tiradentes reconhece sua contribuição permanente para a promoção dos direitos humanos, da justiça social e do pensamento crítico comprometido com a transformação da sociedade”, disse a deputada Renata Sousa.
Trajetória como Teólogo
Ao longo de 22 anos, foi professor de Teologia Sistemática e Ecumênica no Instituto Teológico Franciscano, em Petrópolis, além de atuar como docente e professor-visitante em importantes universidades do Brasil e do exterior, como Lisboa, Salamanca, Harvard, Basel e Heidelberg. Leonardo Boff esteve entre os principais pensadores que deram origem à Teologia da Libertação, corrente que articula a fé cristã com a luta contra a miséria, a exclusão social e a marginalização, sempre com forte compromisso com os direitos humanos.
Reconhecido internacionalmente, Boff é doutor honoris causa em Política pela Universidade de Turim, na Itália, e em Teologia pela Universidade de Lund, na Suécia, além de ter recebido diversos prêmios nacionais e internacionais por sua atuação em favor dos mais vulneráveis. Autor de mais de 60 livros, suas obras abordam temas como teologia, espiritualidade, filosofia, ecologia e mística, com traduções para diversos idiomas.
Em razão de suas posições críticas e de suas teses ligadas à Teologia da Libertação, foi submetido a processos no Vaticano nos anos 1980. Em 1992, deixou o sacerdócio, passando a atuar como leigo, mantendo-se como intelectual, conferencista e assessor de movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e as Comunidades Eclesiais de Base.



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