Fenômeno já está estabelecido e tende a ganhar força ao longo do segundo semestre; cenário impacta regime de chuvas, temperaturas e geração de energia no Brasil
O inverno de 2026 começa oficialmente no Brasil no dia 21 de junho, com os reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN) em níveis considerados confortáveis após a recuperação observada no primeiro trimestre do ano. No entanto, o setor elétrico precisará acompanhar de perto os próximos meses da estação por conta do avanço do El Niño. Já estabelecido, o fenômeno deve ganhar força ao longo do segundo semestre e, assim, trazer impacto para o regime de chuvas, as temperaturas e o comportamento da geração de energia no país, segundo projeções da Nottus, empresa de inteligência de dados e consultoria meteorológica para negócios.
Em análise do National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) feita por meteorologistas da Nottus, o El Niño já está presente e deve permanecer ativo pelo menos até o primeiro semestre de 2027. Os modelos climáticos mostram uma elevada probabilidade de fortalecimento do fenômeno no decorrer do segundo semestre deste ano, com potencial para atingir intensidade muito forte no fim de 2026 e pode tornar-se um dos eventos mais intensos já registrados dos últimos tempos.
De acordo com Alexandre Nascimento, sócio-diretor e meteorologista da Nottus, o inverno apresentará condições que ainda favorecem o sistema elétrico brasileiro. "A combinação entre chuvas frequentes no Sul e no sul do Subsistema Sudeste/Centro-Oeste, além do início antecipado e vigoroso da safra dos ventos, contribui para manter as afluências elevadas e retardar a redução dos níveis de armazenamento dos reservatórios ao longo do período seco. Também esperamos boa geração solar em grande parte do centro-norte do país", avalia o executivo.
O cenário atual contrasta com a primeira etapa do período úmido, no último trimestre de 2025, quando os volumes de chuva ficaram abaixo do esperado. Na ocasião, a conjuntura do sistema não se deteriorou de forma mais intensa porque as temperaturas permaneceram abaixo da média histórica durante boa parte do período, limitando o crescimento da demanda por energia. As temperaturas mais elevadas concentraram-se entre o Natal e o Ano-Novo.
Já no primeiro trimestre de 2026, houve uma recuperação importante das precipitações nas principais bacias hidrográficas do país. Como resultado, os reservatórios apresentaram melhora significativa. Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) mostram que o SIN iniciou o ano com armazenamento equivalente a 46% da capacidade total e alcançou 71% em meados de abril. Em 8 de junho, o indicador registrava 72%, mantendo-se praticamente estável.
Os destaques positivos ficaram por conta do Nordeste e do Norte, que registraram recuperação rápida e expressiva ao longo do período úmido. O subsistema Sudeste/Centro-Oeste também apresentou melhora relevante, revertendo parte das condições desfavoráveis observadas no fim de 2025. Já o Sul teve maior volatilidade, com oscilações mais acentuadas ao longo do período.
A partir de agosto, porém, a influência do El Niño tende a se tornar mais evidente. A expectativa é de aumento dos períodos secos no centro-norte do país e da atuação de ventos de norte, favorecendo a elevação das temperaturas do meio para o final do inverno. "É bastante provável que a percepção da população seja de que o outono e o início do inverno tenham sido mais frios do que o inverno de forma geral. O segundo semestre deve apresentar temperaturas acima da média em grande parte do país", afirma Alexandre Nascimento.
As projeções da Nottus indicam muita chuva no Sul, precipitações abaixo da média no Nordeste e no Tocantins e um padrão mais irregular de chuvas em áreas do Sudeste/Centro-Oeste, da bacia do Madeira e da região do Xingu. Ao longo da primavera, o Sudeste/Centro-Oeste ainda pode ter volumes de chuva acima da média em determinados momentos, mas há possibilidade de redução das precipitações durante o verão.
Para o setor elétrico, os efeitos do El Niño tendem a ser mistos. Em um primeiro momento, o fenômeno pode trazer benefícios ao sistema, favorecendo as afluências no Sul e até do Subsistema SE-CO, o que deverá contribuir para a manutenção dos reservatórios, além de fortalecer a safra dos ventos no Nordeste. A elevada incidência de radiação solar tende a beneficiar a geração fotovoltaica no chamado cinturão solar brasileiro. "Antes de representar um desafio, o El Niño pode ajudar o sistema. A melhora das condições hidrológicas no centro-sul do país e o fortalecimento das fontes eólica e solar são fatores positivos para o SIN neste estágio inicial do fenômeno", afirma o meteorologista.
Por outro lado, à medida que o fenômeno ganha intensidade, aumentam os desafios relacionados ao calor persistente e à irregularidade das chuvas. A expectativa é de temperaturas significativamente acima da média histórica em grande parte do país, com maior frequência de ondas de calor capazes de elevar a demanda por energia entre o final deste ano e o início de 2027.
O cenário climático pode favorecer eventos extremos, como vendavais e episódios de chuva intensa em importantes bacias hidrográficas do centro-sul do país. Não estão descartados eventos de precipitação extrema nas bacias do Sul, do Paranapanema, do Paraná, do Tietê e do Madeira, exigindo atenção dos agentes do setor.
Alexandre Nascimento diz que o comportamento do El Niño em 2026 merece atenção especial por ocorrer em um contexto climático diferente de eventos anteriores. "Estamos diante da possibilidade de um El Niño muito forte atuando em um planeta que já apresenta temperaturas excepcionalmente elevadas. É uma combinação ainda sem precedentes recentes e que exige acompanhamento constante dos possíveis impactos sobre o setor elétrico e a disponibilidade dos recursos energéticos do país", conclui.
Em análise do National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) feita por meteorologistas da Nottus, o El Niño já está presente e deve permanecer ativo pelo menos até o primeiro semestre de 2027. Os modelos climáticos mostram uma elevada probabilidade de fortalecimento do fenômeno no decorrer do segundo semestre deste ano, com potencial para atingir intensidade muito forte no fim de 2026 e pode tornar-se um dos eventos mais intensos já registrados dos últimos tempos.
De acordo com Alexandre Nascimento, sócio-diretor e meteorologista da Nottus, o inverno apresentará condições que ainda favorecem o sistema elétrico brasileiro. "A combinação entre chuvas frequentes no Sul e no sul do Subsistema Sudeste/Centro-Oeste, além do início antecipado e vigoroso da safra dos ventos, contribui para manter as afluências elevadas e retardar a redução dos níveis de armazenamento dos reservatórios ao longo do período seco. Também esperamos boa geração solar em grande parte do centro-norte do país", avalia o executivo.
O cenário atual contrasta com a primeira etapa do período úmido, no último trimestre de 2025, quando os volumes de chuva ficaram abaixo do esperado. Na ocasião, a conjuntura do sistema não se deteriorou de forma mais intensa porque as temperaturas permaneceram abaixo da média histórica durante boa parte do período, limitando o crescimento da demanda por energia. As temperaturas mais elevadas concentraram-se entre o Natal e o Ano-Novo.
Já no primeiro trimestre de 2026, houve uma recuperação importante das precipitações nas principais bacias hidrográficas do país. Como resultado, os reservatórios apresentaram melhora significativa. Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) mostram que o SIN iniciou o ano com armazenamento equivalente a 46% da capacidade total e alcançou 71% em meados de abril. Em 8 de junho, o indicador registrava 72%, mantendo-se praticamente estável.
Os destaques positivos ficaram por conta do Nordeste e do Norte, que registraram recuperação rápida e expressiva ao longo do período úmido. O subsistema Sudeste/Centro-Oeste também apresentou melhora relevante, revertendo parte das condições desfavoráveis observadas no fim de 2025. Já o Sul teve maior volatilidade, com oscilações mais acentuadas ao longo do período.
A partir de agosto, porém, a influência do El Niño tende a se tornar mais evidente. A expectativa é de aumento dos períodos secos no centro-norte do país e da atuação de ventos de norte, favorecendo a elevação das temperaturas do meio para o final do inverno. "É bastante provável que a percepção da população seja de que o outono e o início do inverno tenham sido mais frios do que o inverno de forma geral. O segundo semestre deve apresentar temperaturas acima da média em grande parte do país", afirma Alexandre Nascimento.
As projeções da Nottus indicam muita chuva no Sul, precipitações abaixo da média no Nordeste e no Tocantins e um padrão mais irregular de chuvas em áreas do Sudeste/Centro-Oeste, da bacia do Madeira e da região do Xingu. Ao longo da primavera, o Sudeste/Centro-Oeste ainda pode ter volumes de chuva acima da média em determinados momentos, mas há possibilidade de redução das precipitações durante o verão.
Para o setor elétrico, os efeitos do El Niño tendem a ser mistos. Em um primeiro momento, o fenômeno pode trazer benefícios ao sistema, favorecendo as afluências no Sul e até do Subsistema SE-CO, o que deverá contribuir para a manutenção dos reservatórios, além de fortalecer a safra dos ventos no Nordeste. A elevada incidência de radiação solar tende a beneficiar a geração fotovoltaica no chamado cinturão solar brasileiro. "Antes de representar um desafio, o El Niño pode ajudar o sistema. A melhora das condições hidrológicas no centro-sul do país e o fortalecimento das fontes eólica e solar são fatores positivos para o SIN neste estágio inicial do fenômeno", afirma o meteorologista.
Por outro lado, à medida que o fenômeno ganha intensidade, aumentam os desafios relacionados ao calor persistente e à irregularidade das chuvas. A expectativa é de temperaturas significativamente acima da média histórica em grande parte do país, com maior frequência de ondas de calor capazes de elevar a demanda por energia entre o final deste ano e o início de 2027.
O cenário climático pode favorecer eventos extremos, como vendavais e episódios de chuva intensa em importantes bacias hidrográficas do centro-sul do país. Não estão descartados eventos de precipitação extrema nas bacias do Sul, do Paranapanema, do Paraná, do Tietê e do Madeira, exigindo atenção dos agentes do setor.
Alexandre Nascimento diz que o comportamento do El Niño em 2026 merece atenção especial por ocorrer em um contexto climático diferente de eventos anteriores. "Estamos diante da possibilidade de um El Niño muito forte atuando em um planeta que já apresenta temperaturas excepcionalmente elevadas. É uma combinação ainda sem precedentes recentes e que exige acompanhamento constante dos possíveis impactos sobre o setor elétrico e a disponibilidade dos recursos energéticos do país", conclui.


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