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Periodontite: entenda a doença que afeta o osso que segura os dentes

Periodontite: entenda a doença que afeta o osso que segura os dentes

Especialista explica por que a inflamação pode avançar sem dor, quais sinais merecem atenção e quando tratamentos menos invasivos podem ajudar a preservar os dentes naturais
Periodontite: entenda a doença que afeta o osso que segura os dentes
Sangrar ao escovar os dentes ou passar fio dental parece comum para muita gente, mas pode ser um dos primeiros sinais de uma inflamação capaz de comprometer a estrutura que mantém os dentes firmes. A condição é conhecida como periodontite e, em muitos casos, avança sem dor.
 
A periodontite é uma doença infecciosa e inflamatória que compromete a gengiva e as estruturas que sustentam os dentes. Ela costuma começar como gengivite, um quadro mais superficial e reversível. Quando não tratada, pode evoluir, afetar o osso de sustentação e levar à perda dentária.

Segundo a Dra. Cristina Miura, periodontista e implantodontista especializada em doenças da gengiva, a ausência de dor é um dos fatores que mais atrasam o diagnóstico. “A doença periodontal avança em silêncio. O paciente não sente nada, continua escovando os dentes normalmente e acha que está tudo bem. Quando percebe, já perdeu parte do osso”, afirma.

Por que a periodontite pode avançar sem dor?

A dor nem sempre aparece nos estágios iniciais da periodontite. Por isso, sinais como sangramento, gengiva inchada, mau hálito persistente e retração gengival podem ser mais importantes do que esperar por incômodo físico.

“O paciente chega ao consultório achando que veio para uma limpeza de rotina e descobre que está prestes a perder um dente. Isso acontece todos os dias. A dor não é um bom indicador de saúde bucal”, explica a especialista.

Quando a doença avança, o osso que dá sustentação ao dente começa a ser comprometido. Com isso, a gengiva pode retrair, os dentes podem parecer mais longos, espaços escuros podem surgir entre eles e, em casos mais avançados, pode haver mobilidade dentária.

Periodontite não é apenas falta de higiene

Um dos erros mais comuns sobre a periodontite é associar a doença apenas à falta de higiene bucal. A escovação inadequada e o acúmulo de tártaro aumentam o risco, mas a explicação não se resume a isso.

De acordo com a Dra. Cristina, a boca funciona como um ecossistema, com bactérias benéficas e nocivas convivendo ao mesmo tempo. O problema começa quando esse equilíbrio se perde e bactérias associadas à inflamação passam a predominar.

“Existe placa que não causa doença e existe placa patogênica. Quando o equilíbrio se perde e as bactérias causadoras de doença ganham espaço, a gengiva inflama, o osso começa a ser afetado e o dente perde suporte. Isso é periodontite”, diz.

Esse desequilíbrio, chamado de disbiose bucal, pode ser favorecido por fatores como higiene inadequada, acúmulo de tártaro, tabagismo, diabetes, alterações hormonais e predisposição genética. Em muitos casos, mais de um fator está presente ao mesmo tempo.

5 sinais de periodontite que merecem atenção


1. Sangramento ao escovar ou passar fio dental

O sangramento é um dos sinais mais comuns e também um dos mais ignorados. “Nenhum sangramento gengival é normal. Se há sangue, há inflamação, mesmo sem dor e mesmo sem outro sintoma visível”, afirma a periodontista.

2. Gengiva vermelha, inchada ou retraída

Mudanças na aparência da gengiva podem indicar que o tecido está reagindo a um processo inflamatório. Quando a retração aparece, parte da raiz do dente pode ficar mais exposta.

3. Mau hálito persistente

Quando o mau hálito não melhora com escovação adequada e uso de fio dental, pode estar relacionado à presença de bactérias instaladas na região da gengiva. 

4. Dentes que parecem mais longos ou com espaços entre eles

A sensação de que os dentes ficaram maiores pode ocorrer por causa da retração gengival. Já os espaços escuros entre os dentes podem indicar perda de suporte ao redor deles.

5. Dente mole ou com sensação de mobilidade

Perceber que um dente está menos firme é um sinal de alerta importante. Nesses casos, a avaliação deve ser feita o quanto antes, porque pode haver comprometimento do osso que sustenta o dente.
 
Todo caso de periodontite precisa de cirurgia?

Não. Segundo a Dra. Cristina, muitos casos leves e moderados podem ser tratados com abordagens menos invasivas, principalmente quando o diagnóstico é feito cedo.

O tratamento periodontal não cirúrgico busca controlar a infecção, remover depósitos bacterianos e ajudar a restabelecer um ambiente bucal mais saudável. A indicação depende da avaliação do periodontista e do estágio da doença, como uma reconstrução óssea.

“A cirurgia existe e tem seu papel em casos específicos. Mas muitos pacientes chegam acreditando que vão precisar de um procedimento complexo e descobrem que o tratamento pode ser mais simples do que imaginavam. O problema, quase sempre, é o tempo que se levou para buscar avaliação”, avalia.

O diagnóstico começa com a sondagem periodontal, exame feito com uma pequena sonda que mede a profundidade entre o dente e a gengiva. Quando essa medida está aumentada, pode indicar inflamação e comprometimento das estruturas de sustentação.

Periodontite tem cura?

A periodontite é uma doença crônica que pode ser controlada. Com tratamento adequado, acompanhamento regular e cuidados diários, é possível estabilizar a inflamação e preservar os dentes naturais por muitos anos.
 
“Meu objetivo, e o de todo periodontista, é salvar o dente natural. Implante é uma solução, mas nunca é melhor do que um dente saudável na boca. Nenhum implante mastiga igual, nenhum implante tem ligamento, nenhum implante tem sensibilidade. O dente natural é insubstituível”, afirma Dra. Cristina.

A recomendação é buscar avaliação ao notar sangramento persistente ao escovar ou passar fio dental, mau hálito que não melhora, gengiva inchada ou retraída, dentes que parecem mais longos ou qualquer sensação de mobilidade. Nesses casos, o uso de enxaguantes pode até aliviar o odor ou reduzir a percepção do problema por um tempo, mas não substitui a investigação da causa. Sem a sondagem periodontal, sinais de doença periodontal podem ser mascarados enquanto o quadro avança em silêncio, com risco de perda do osso que sustenta os dentes.

Quanto mais cedo o diagnóstico, maior a chance de controlar a doença com tratamento menos invasivo e preservar os dentes.

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