Oncologista explica como é possível manter a autonomia e rotina durante o tratamento de câncer
Quem já passou por um tratamento oncológico conhece a rotina: horas sentado em uma cadeira, com uma agulha no braço, esperando o soro acabar. Esse ainda é o cenário mais comum, mas está mudando.
Alguns medicamentos antes administrados por via intravenosa, aquela que exige acesso venoso e infusão, já podem ser aplicados por injeção subcutânea: uma injeção feita sob a pele, semelhante a uma vacina, que costuma durar alguns minutos. Estudos indicam que essa via pode reduzir em até 68%¹ o tempo que o paciente passa no hospital para receber o tratamento.
Mas o que isso significa na prática? E essa forma de aplicar o medicamento é segura e eficaz? A oncologista Carla Dias, do Hospital Sírio-Libanês e do ICESP HC/USP, responde às dúvidas mais comuns.
1) Terapias subcutâneas estão disponíveis somente para doenças de baixa complexidade?
MITO. Esse é um equívoco importante de desfazer. Hoje temos terapias subcutâneas aprovadas para doenças oncológicas de alta complexidade, como linfomas, mieloma múltiplo e câncer de mama HER2-positivo. A via de administração não define a complexidade da doença tratada, ela define a logística do tratamento. Temos anticorpos monoclonais, imunoterapias e terapias-alvo sendo administrados por via subcutânea com plena eficácia clínica.
2) Por ser mais rápida e simples, a aplicação subcutânea é menos eficaz que a intravenosa?
MITO. A eficácia de um medicamento depende de ele conseguir agir no organismo na quantidade certa, não do tempo que leva para entrar no corpo. As formulações subcutâneas são desenvolvidas para garantir que o medicamento seja absorvido de forma adequada. Estudos clínicos comparativos mostraram resultados equivalentes em termos de resposta e de segurança ao tratamento, incluindo resposta tumoral e sobrevida.
3) As terapias subcutâneas otimizam o trabalho da equipe de enfermagem?
VERDADE. O tempo de administração de uma terapia subcutânea é significativamente menor do que o de uma infusão intravenosa, que pode durar horas. Isso libera a equipe de enfermagem para outros cuidados, reduz a ocupação de poltronas e leitos de infusão, e contribui para um fluxo mais eficiente nas unidades de oncologia. Em um contexto de crescente demanda, isso tem impacto real na capacidade operacional dos serviços.
4) Toda aplicação de medicamento subcutâneo é feita na barriga?
MITO. Os locais de aplicação subcutânea variam conforme o medicamento e o protocolo. As regiões mais utilizadas incluem o abdômen, a coxa e a região posterior do braço. O rodízio de locais é inclusive recomendado para evitar reações locais e garantir melhor absorção. A escolha do local segue orientação técnica que consta em bula e deve sempre ser realizada ou supervisionada por profissional de saúde habilitado.
5) A terapia subcutânea é mais cômoda para o paciente?
VERDADE. Menos tempo de cadeira, sem necessidade de acesso venoso, o que é particularmente relevante para pacientes com veias de difícil acesso após múltiplos ciclos de quimioterapia, e menor tempo total dentro da unidade de saúde. Isso tem impacto direto na qualidade de vida: o paciente consegue retomar mais rapidamente sua rotina, trabalho e vida familiar. Para mim, como oncologista, comodidade não é um detalhe, é parte do cuidado.
6) Qualquer pessoa pode aplicar o medicamento subcutâneo?
MITO. A administração de terapias oncológicas subcutâneas exige profissional de saúde treinado, enfermeiro ou médico, com conhecimento do protocolo, dos sinais de reação e dos critérios de segurança. Mesmo que a técnica de aplicação seja mais simples do que a intravenosa, estamos falando de medicamentos de alta complexidade. A supervisão profissional não é opcional, é parte da segurança do tratamento.
Alguns medicamentos antes administrados por via intravenosa, aquela que exige acesso venoso e infusão, já podem ser aplicados por injeção subcutânea: uma injeção feita sob a pele, semelhante a uma vacina, que costuma durar alguns minutos. Estudos indicam que essa via pode reduzir em até 68%¹ o tempo que o paciente passa no hospital para receber o tratamento.
Mas o que isso significa na prática? E essa forma de aplicar o medicamento é segura e eficaz? A oncologista Carla Dias, do Hospital Sírio-Libanês e do ICESP HC/USP, responde às dúvidas mais comuns.
1) Terapias subcutâneas estão disponíveis somente para doenças de baixa complexidade?
MITO. Esse é um equívoco importante de desfazer. Hoje temos terapias subcutâneas aprovadas para doenças oncológicas de alta complexidade, como linfomas, mieloma múltiplo e câncer de mama HER2-positivo. A via de administração não define a complexidade da doença tratada, ela define a logística do tratamento. Temos anticorpos monoclonais, imunoterapias e terapias-alvo sendo administrados por via subcutânea com plena eficácia clínica.
2) Por ser mais rápida e simples, a aplicação subcutânea é menos eficaz que a intravenosa?
MITO. A eficácia de um medicamento depende de ele conseguir agir no organismo na quantidade certa, não do tempo que leva para entrar no corpo. As formulações subcutâneas são desenvolvidas para garantir que o medicamento seja absorvido de forma adequada. Estudos clínicos comparativos mostraram resultados equivalentes em termos de resposta e de segurança ao tratamento, incluindo resposta tumoral e sobrevida.
3) As terapias subcutâneas otimizam o trabalho da equipe de enfermagem?
VERDADE. O tempo de administração de uma terapia subcutânea é significativamente menor do que o de uma infusão intravenosa, que pode durar horas. Isso libera a equipe de enfermagem para outros cuidados, reduz a ocupação de poltronas e leitos de infusão, e contribui para um fluxo mais eficiente nas unidades de oncologia. Em um contexto de crescente demanda, isso tem impacto real na capacidade operacional dos serviços.
4) Toda aplicação de medicamento subcutâneo é feita na barriga?
MITO. Os locais de aplicação subcutânea variam conforme o medicamento e o protocolo. As regiões mais utilizadas incluem o abdômen, a coxa e a região posterior do braço. O rodízio de locais é inclusive recomendado para evitar reações locais e garantir melhor absorção. A escolha do local segue orientação técnica que consta em bula e deve sempre ser realizada ou supervisionada por profissional de saúde habilitado.
5) A terapia subcutânea é mais cômoda para o paciente?
VERDADE. Menos tempo de cadeira, sem necessidade de acesso venoso, o que é particularmente relevante para pacientes com veias de difícil acesso após múltiplos ciclos de quimioterapia, e menor tempo total dentro da unidade de saúde. Isso tem impacto direto na qualidade de vida: o paciente consegue retomar mais rapidamente sua rotina, trabalho e vida familiar. Para mim, como oncologista, comodidade não é um detalhe, é parte do cuidado.
6) Qualquer pessoa pode aplicar o medicamento subcutâneo?
MITO. A administração de terapias oncológicas subcutâneas exige profissional de saúde treinado, enfermeiro ou médico, com conhecimento do protocolo, dos sinais de reação e dos critérios de segurança. Mesmo que a técnica de aplicação seja mais simples do que a intravenosa, estamos falando de medicamentos de alta complexidade. A supervisão profissional não é opcional, é parte da segurança do tratamento.



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