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Pesquisa inédita da Fiocruz avaliará poluição dentro das residências no entorno da CSN

Pesquisa inédita da Fiocruz avaliará poluição dentro das residências no entorno da CSN

Pesquisa inédita da Fiocruz avaliará poluição dentro das residências no entorno da CSN
Coincidência ou não, quarta-feira, 29 de julho, no mesmo dia em que um forte vendaval voltou a espalhar pó pela cidade, pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) anunciaram o início de uma pesquisa inédita sobre os impactos da poluição atmosférica no interior das residências de Volta Redonda.

O estudo será desenvolvido durante um ano por uma equipe coordenada pelos pesquisadores Leandro Carvalho e Renato Borges. O estudo pretende produzir dados científicos sobre a qualidade do ar dentro das casas e os efeitos da exposição à poluição na saúde dos moradores.

Segundo Leandro, o projeto vai além da percepção da população. "Vamos medir a qualidade do ar dentro das residências, analisar a poeira doméstica e avaliar como essa exposição pode afetar a saúde das pessoas”, explica. 

A pesquisa será realizada com moradores que vivem em um raio de até um quilômetro da CSN, área considerada mais suscetível aos poluentes atmosféricos, principalmente o material particulado, um tipo de poluente muito perigoso para saúde humana. A meta é acompanhar 20 residências por mês — cinco em cada direção (norte, sul, leste e oeste) — totalizando cerca de 240 casas ao longo do estudo.

Nas residências participantes serão coletadas amostras de poeira para identificar a presença de metais e hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPA), substâncias associadas à atividade industrial. Também serão instalados monitores simples, para medir a concentração de material particulado no ambiente interno. Os participantes que autorizarem poderão realizar exames de metais e HPA em urina, para avaliar a presença desses contaminantes no organismo.

Vigilância Popular

Antes do início das coletas, a equipe promoverá oficinas de Vigilância Popular em Saúde e Ambiente, buscando envolver os moradores na compreensão dos riscos da poluição e na construção coletiva do conhecimento sobre o território. Os pesquisadores já disponibilizaram um formulário para cadastramento de moradores interessados em participar do estudo e destacam que a ampla divulgação da iniciativa será fundamental para ampliar a participação da comunidade. A equipe também se colocou à disposição para apresentar o projeto a lideranças, instituições e veículos de comunicação da região.

A previsão é que a pesquisa seja concluída no segundo semestre de 2027, oferecendo informações inéditas que poderão contribuir para o aperfeiçoamento das políticas públicas de saúde e de controle da poluição em Volta Redonda.

Para a ambientalista Adriana Bitencourt da Silva, do Movimento Sul Fluminense contra a Poluição, a pesquisa chega em um momento importante. “É fundamental conhecer o que as pessoas respiram dentro de casa, principalmente crianças, idosos e pessoas com problemas de saúde, que passam mais tempo nesses ambientes”, afirmou.

A coordenação do Movimento Ética na Política (MEP.VR) saudou a iniciativa da Fiocruz e informou que apresentará o projeto à sua Equipe Socioambiental do Movimento para avaliar formas de colaborar com os pesquisadores.

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