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Brasil chega à marca histórica de 29,8 mil empresas exportadoras

Brasil chega à marca histórica de 29,8 mil empresas exportadoras

Pequenos negócios já são quase 40% das exportadoras, mas ficam com menos de 1% do valor exportado

Imagem: IA

O Brasil encerrou 2025 com 29.818 empresas exportadoras, o maior número da série histórica, iniciada em 2008. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o resultado representa crescimento de 3,4% em relação a 2024, com 971 empresas a mais do que no ano anterior.

Um dos principais destaques está no avanço dos pequenos negócios. Do total de exportadoras, 11.822 são microempreendedores individuais, microempresas ou empresas de pequeno porte.

Juntas, elas representam quase 40% das empresas brasileiras que vendem produtos ao exterior.

A participação em valor, entretanto, ainda é pequena. Esses negócios movimentaram aproximadamente US$ 2,6 bilhões em vendas internacionais, o equivalente a apenas 0,8% de tudo o que o Brasil exportou em 2025.

Os números fazem parte do último levantamento anual consolidado do MDIC, divulgado em março deste ano. O tema voltou a ganhar espaço em 12 de agosto, quando o Sebrae destacou uma jornada de capacitação voltada a micro e pequenas empresas e startups interessadas em ampliar as vendas para outros países.

Para Renato Alves de Oliveira, diretor de Expansão e Negócios da Bicalho Consultoria e Idealizaor da Be International, que atua na expansão de negócios brasileiros para os Estados Unidos, o recorde mostra que o mercado externo deixou de ser visto como uma possibilidade exclusiva das grandes corporações.

“Existe um número muito maior de empresários disposto a olhar para fora do Brasil. O desafio agora é fazer com que essa entrada não fique restrita a uma venda isolada, mas se transforme em um canal permanente de receita para a empresa”, afirma.

Crescimento em número ainda não se repete em valor

Segundo o MDIC, o número total de empresas exportadoras passou de 19,9 mil, em 2015, para 29,8 mil em 2025, uma expansão de 49,7% em dez anos.

Entre os microempreendedores individuais e as microempresas, o crescimento foi ainda mais expressivo: o número passou de aproximadamente 2,6 mil para 6,2 mil, alta de 138,5%. As empresas de pequeno porte avançaram de cerca de 3,4 mil para 5,7 mil no mesmo período, crescimento próximo de 68%.

Em valores, porém, a concentração permanece elevada. Dados detalhados pelo Mercado&Consumo , com base no relatório oficial, mostram que as microempresas e os MEIs exportaram US$ 870,8 milhões em 2025, o equivalente a 0,3% do total. As empresas de pequeno porte movimentaram US$ 1,8 bilhão, ou 0,5%.

Enquanto os pequenos negócios somaram aproximadamente US$ 2,6 bilhões em vendas internacionais, as médias e grandes empresas exportaram US$ 320,9 bilhões e concentraram 92,1% do valor total. Outros 7,1% correspondem a operações de empresas não mercantis ou com informações de porte incompletas.

“Muitas empresas conseguem realizar a primeira exportação por meio de uma indicação, de um contato ou de uma oportunidade específica. Ganhar escala exige outra estrutura: prospecção de clientes, adequação do produto, definição de preços, distribuição e capacidade de manter o atendimento depois da venda”, explica Renato.

Estados Unidos continuam como principal destino

Levantamento divulgado pelo Sebrae mostra que os Estados Unidos continuam sendo o principal destino individual das exportações dos pequenos negócios brasileiros, concentrando 16,7% das vendas.

Considerando as regiões, a América do Sul recebe 25,3% do valor exportado por essas empresas. A América do Norte aparece em seguida, com 19,7%, à frente da Ásia, com 19,4%, e da Europa, com 18,6%.

Renato, que acompanha empresários brasileiros nos processos de entrada e expansão nos Estados Unidos, afirma que o tamanho do mercado americano amplia as possibilidades de crescimento, mas também exige preparação para uma concorrência maior.

“Os Estados Unidos oferecem escala, poder de consumo e oportunidades para empresas de diferentes setores. Ao mesmo tempo, é um mercado competitivo. Não basta levar para lá exatamente o mesmo produto e a mesma estratégia utilizados no Brasil. A empresa precisa validar a demanda, estudar preços, adaptar sua comunicação e definir como chegará ao cliente americano”, ressalta.

A exportação pode funcionar como uma primeira etapa para testar a aceitação do produto. Conforme as vendas avançam, a empresa pode avaliar distribuidores, parceiros comerciais ou uma presença direta no país.

Receitas em outras moedas podem equilibrar o negócio

Além da conquista de novos consumidores, a internacionalização permite que a empresa passe a receber parte de suas receitas em dólar ou em outras moedas. Com isso, o faturamento deixa de depender exclusivamente do mercado brasileiro e das oscilações do real.

O efeito não representa uma proteção automática, porque a variação cambial também pode aumentar custos com insumos, logística e serviços contratados no exterior. Ainda assim, a diversificação de mercados e moedas pode funcionar como um elemento de equilíbrio quando a operação é planejada e recorrente.


“Uma empresa que fatura apenas em reais fica totalmente exposta ao ciclo da economia brasileira. Quando ela constrói uma receita recorrente em dólar ou em outras moedas, passa a contar com uma fonte adicional de equilíbrio. Isso não elimina os riscos cambiais, mas reduz a dependência de um único mercado e de uma única moeda”, afirma Renato.


Segundo ele, a busca pelo exterior não deve começar somente quando o Brasil enfrenta uma desaceleração econômica.

“A internacionalização não pode ser tratada como uma fuga em momentos de crise. É uma estratégia que precisa ser construída antes, porque demanda preparação, conhecimento do mercado e tempo para formar uma carteira de clientes. Quando a dificuldade interna aparece, a empresa que já possui receitas fora do país está mais bem posicionada para atravessar esse período”, acrescenta.

Empresas de menor faturamento também olham para fora

Renato também tem percebido essa mudança no perfil dos empresários em encontros realizados em diferentes regiões do Brasil e no exterior, incluindo Panamá, Paraguai e Estados Unidos.

de acordo com Renato, nos últimos três ou quatro anos aumentou a presença de participantes com negócios na faixa de R$ 5 milhões a R$ 10 milhões de faturamento anual.

“Há alguns anos, o empresário com esse faturamento enxergava a internacionalização como algo muito distante. Hoje, ele quer saber qual mercado combina com seu produto, quanto precisa investir e como pode começar com segurança. Essa mudança de mentalidade ajuda a explicar o crescimento da quantidade de exportadoras”, observa.

O próximo avanço será medido não apenas pelo aumento no número de empresas presentes no exterior, mas pela capacidade dos pequenos negócios de conquistar uma fatia maior do valor exportado.

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