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Brasil triplica número de interrupções no fornecimento de energia por queimadas em 5 anos

Brasil triplica número de interrupções no fornecimento de energia por queimadas em 5 anos

Dados da Aneel analisados pela Abradee mostram que o aumento entre 2020 e 2025 foi de 242,8%. Período seco concentra maior número de registros

Brasil triplica número de interrupções no fornecimento de energia por queimadas em 5 anos
A chegada da estação seca acende um alerta para o avanço das queimadas, que impactam o serviço de distribuição de energia com frequência. O tema preocupa ainda mais diante da previsão de ocorrência do Super El Niño, que deve tornar eventos climáticos, como a estiagem e as ondas de calor, ainda mais intensos.

Levantamento da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), elaborado com base em dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), revela que o número de interrupções no fornecimento de energia provocadas por incêndios vem crescendo ao longo do tempo e que o total mais que triplicou nos últimos cinco anos, crescendo a 242,8% no período. Enquanto em 2020, foram registrados 24.994 casos, o total de 2025 chegou a 85.674.

O aumento do número de queimadas que resulta em cortes no fornecimento de energia, no entanto, desacelerou no último ano, registrando alta de 11,12% dos números de 2025 sobre 2024, quando foram 77.101 ocorrências. Na comparação anual anterior, entre 2023 e 2024, a alta havia sido de 34,87%.

Tecnologia e prevenção

Para reduzir os impactos das queimadas sobre a rede elétrica, as distribuidoras vêm ampliando investimentos. Entre as iniciativas estão o uso de drones, helicópteros, sensores térmicos e sistemas de monitoramento para identificar áreas de risco antes que os incêndios atinjam a infraestrutura elétrica. As empresas também realizam manutenção preventiva e limpeza das faixas de segurança sob as redes, além de atuar em parceria com serviços de meteorologia, Corpo de Bombeiros e órgãos públicos para agilizar a resposta às ocorrências.

"As distribuidoras estão cada vez mais preparadas para responder aos impactos das queimadas, mas a solução passa, necessariamente, por um esforço coletivo. É essencial fortalecer a integração entre os órgãos públicos, responsáveis pela prevenção e combate aos incêndios, e ampliar o engajamento da população, que tem um papel importante na redução desses eventos. Evitar queimadas irregulares, não soltar balões e adotar comportamentos seguros são atitudes que contribuem para esse processo", avalia a presidente da Abradee, Patricia Audi.

Sazonalidade

Os dados também confirmam um padrão sazonal. Mais da metade das interrupções registradas em 2024 e 2025 ocorreu entre agosto e outubro, período marcado pela seca em grande parte do país. Setembro foi o mês mais crítico, com 19.674 interrupções no acumulado dos dois anos, seguido por agosto (16.889) e outubro (15.443). Em 2025, o período crítico avançou para outubro, indicando uma ampliação da janela de risco provocada pelas condições climáticas mais severas. 

Segundo o Head de Operações Meteorológicas da Climatempo, Pedro Regoto, a temporada de queimadas de 2026 começou com sinais importantes de atenção. “O comportamento registrado até meados de junho funciona como um indicador antecedente do potencial da estação seca. Neste ano, chama atenção o aumento das ocorrências de focos de calor na Amazônia e a manutenção de um corredor crítico entre Mato Grosso, Pará, Tocantins, Maranhão e Bahia.” 

Ocorrência regional

A distribuição geográfica das ocorrências de interrupções no fornecimento de energia provocadas por queimadas também revela forte concentração nas regiões mais afetadas por longos períodos de seca. O Nordeste respondeu por 50,86% das interrupções registradas em 2024 e 2025, seguido pelo Norte (31,04%), Sudeste (12,12%), Sul (4,23%) e Centro-Oeste (1,74%). 

Entre os estados, o Pará lidera o ranking nacional, com 48.822 interrupções em 2025, seguido por Pernambuco (29.396) e Bahia (23.600). Também figuram entre os estados com maior número de ocorrências Piauí (9.369), Maranhão (9.209), Alagoas (8.449), Minas Gerais (3.097), São Paulo (2.951), Rio Grande do Sul (2.442) e Goiás (1.113). 

Como a população pode ajudar

A Abradee reforça que a prevenção depende também da participação da sociedade. Entre as principais orientações estão:

  • Não realizar queimadas para limpeza de terrenos ou áreas rurais, especialmente durante a estiagem.
  • Não soltar balões, prática proibida por lei e que representa elevado risco de incêndios.
  • Evitar acender fogueiras próximas à vegetação ou à rede elétrica.
  • Nunca descartar pontas de cigarro acesas às margens de rodovias ou em áreas com vegetação seca.
  • Ao identificar um foco de incêndio, acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros (193) e comunicar a distribuidora de energia da região.
  • Manter distância de postes, cabos e equipamentos da rede elétrica em áreas atingidas pelo fogo, sem tentar combater incêndios próximos à infraestrutura elétrica.

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