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Inspeção de carnes entra em nova fase no Brasil

Inspeção de carnes entra em nova fase no Brasil

Duas das cadeias mais estratégicas do agronegócio brasileiro acabam de entrar em um processo que pode redefinir a forma como o país fiscaliza, organiza e posiciona suas proteínas no mercado internacional.

Inspeção de carnes entra em nova fase no Brasil
Foram publicadas as Portarias SDA/MAPA n.º 1.559/2026 e n.º 1.560/2026, que colocam em Consulta Pública as propostas de novos regulamentos para a inspeção industrial e sanitária da carne de suínos e de aves no Brasil. As medidas atualizam normas aguardadas há anos pelo setor produtivo e pelo Serviço Oficial.

As propostas buscam alinhar os regulamentos ao modelo previsto no RIISPOA e à chamada Lei do Autocontrole, além de incorporar de forma mais estruturada a lógica de inspeção baseada em risco.

Na prática, isso significa revisar critérios técnicos, consolidar conceitos e dar maior clareza às responsabilidades das empresas e da fiscalização oficial.

Para a médica veterinária e especialista em segurança dos alimentos Paula Eloize, a atualização representa um movimento estratégico para o país.

“Modernizar a norma não é flexibilizar exigências. É qualificar o rigor técnico. Quando há clareza regulatória e coerência entre os dispositivos legais, todo o sistema ganha previsibilidade e força”, afirma.

Segundo ela, o impacto vai além do ambiente interno.

“O Brasil é um dos principais exportadores de proteína animal do mundo. Regulamentos atualizados, alinhados a referências internacionais e estruturados com base em risco fortalecem a confiança no nosso sistema de inspeção e ampliam a credibilidade sanitária do país.”

A construção das propostas envolveu grupos técnicos especializados, análise das normas anteriores e comparação com modelos internacionais. Agora, o texto passa pelo crivo da sociedade.

A Consulta Pública abre espaço para que setor produtivo, academia, profissionais do Serviço Oficial e entidades de classe apresentem contribuições técnicas. Após esse período, o Ministério da Agricultura deverá consolidar a versão final dos regulamentos.

“Esse é um momento decisivo. Contribuições técnicas bem fundamentadas fortalecem a norma e elevam a segurança jurídica do sistema. A inspeção moderna se constrói com participação e responsabilidade”, destaca Paula Eloize.

A expectativa é que, após a consolidação das novas regras, o Brasil avance para um modelo ainda mais estruturado de fiscalização, mantendo o rigor sanitário que sustenta sua posição de destaque no mercado global.

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