O mutirão atendeu tanto a população local quanto integrantes do quilombo Santa Rita do Bracuí e da Aldeia Indígena Sapukai
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| Justiça Itinerante - 06-02-2026 - Foto — Rafael Oliveira-TJRJ |
A ação também reuniu órgãos parceiros com o objetivo de reduzir barreiras geográficas e ampliar o acesso a direitos básicos em uma região historicamente distante dos serviços do Judiciário. Além disso, o atendimento também foi realizado em um cenário impactado por uma enchente que atingiu a área em dezembro de 2023, e fez com que muitas famílias perdessem bens e documentos pessoais.
O evento foi realizado a partir de um pedido da Associação de Moradores do Bracuí, após as dificuldades enfrentadas pela população com a enchente. A presidente da instituição, Jéssica Braga, destacou o impacto do atendimento. “Depois da tragédia da enchente em dezembro de 2023, muita gente perdeu certidão, identidade, título de eleitor, e ficou sem conseguir resolver coisas básicas do dia a dia. Com esse atendimento aqui na comunidade, as pessoas conseguem regularizar a vida e voltar a ter acesso aos seus direitos”.
Ao longo do dia, a unidade móvel da Justiça Itinerante ofereceu serviços como emissão e retificação de certidões de nascimento e casamento, registro tardio de nascimento, inclusão de nome de genitor, orientações jurídicas e audiências relacionadas a pensão alimentícia, guarda, reconhecimento de filiação e divórcio. “É uma área que tem uma reserva indígena e um quilombo, que são comunidades que, historicamente, têm mais dificuldade de acesso aos serviços do Judiciário e dos órgãos públicos, e, por isso, é importante que o atendimento chegue até elas. É uma iniciativa que deve ser mantida e estendida a outras áreas”, afirma a desembargadora Cláudia Maria de Oliveira Motta.
Entre as lideranças locais, esteve presente uma das matriarcas do quilombo Santa Rita do Bracuí, Amarilda de Souza Francisco, e o cacique da Aldeia Indígena Sapukai, Algemiro da Silva. Ambos compareceram para apoiar integrantes de suas respectivas comunidades. No caso de Amarilda, a participação no evento também permitiu que ela regularizasse uma pendência em sua certidão de nascimento.
“Não tinha o nome do meu município na minha certidão. Eu gosto da minha cidade, então tinha que colocar, e hoje já resolveram. E isso é muito importante para o povo pobre, porque muita gente não sabe em qual órgão vai resolver seus problemas. Aqui é tudo junto, então, já é encaminhado e resolve”, diz Amarilda, do quilombo de Angra. Já o Cacique Algemiro destaca que a ação facilita o acesso a esses tipos de serviço. “Não precisamos ir à cidade e conseguimos, por exemplo, tirar a segunda via da certidão na hora, sem ter que pagar R$ 70”.



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