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Bares e restaurantes cobram intervenção do Cade em acordos de exclusividade com plataformas de delivery

Bares e restaurantes cobram intervenção do Cade em acordos de exclusividade com plataformas de delivery

Representantes de bares e restaurantes veem pouca mudança na competitividade do mercado de delivery, mesmo com medidas adotadas pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) nos últimos anos, e pedem maior intervenção da entidade no setor
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
A Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) solicita que o Cade reavalie os contratos de exclusividade entre plataformas e restaurantes. Esses acordos se intensificaram em 2025 como estratégia para atrair estabelecimentos, impulsionados pela chegada de novos players ao setor − 99Food e Keeta — que acirram a concorrência antes dominada pelo iFood.

A associação destaca um episódio recente que envolveu a Keeta, braço internacional da Meituan, maior empresa de delivery do mundo, que começou a atuar no Brasil em outubro de 2025. A companhia fez cortes de funcionários na última quarta-feira (4) no Rio de Janeiro depois de adiar o lançamento do serviço na cidade. 

Quando anunciou o adiamento do lançamento na capital fluminense, a Keeta culpou os contratos de exclusividade firmados entre restaurantes e os concorrentes iFood e 99Food, que inviabilizariam a operação. 

À Folha, o CEO da empresa, Tony Qiu, disse que levaria a questão ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), a autoridade responsável por manter a competitividade no Brasil. 

Para o iFood, é incorreto afirmar que o mercado de delivery carioca esteja fechado à concorrência. “Nos causa estranheza que os contratos de exclusividade estejam impactando uma determinada plataforma, sem atingir outros concorrentes que seguem investindo na cidade e expandindo suas operações”, disse o aplicativo em nota. 

O iFood e o Cade acordaram um TCC (Termo de Compromisso de Cessação) em 2023 que limita a exigência de exclusividade em contratos firmados pela plataforma com restaurantes parceiros. 

A Abrasel defende que sua posição não é um ataque a empresas específicas, mas de cobrança institucional ao órgão responsável pela defesa da concorrência. Sobre o episódio carioca, afirma que o efeito prático de medidas monitoradas por TCC pode estar sendo neutralizado quando combinado com outras estratégias de exclusividade. 

A entidade pede que o Cade se manifeste no processo envolvendo a Keeta, no qual a Abrasel atua como terceira interessada, e analise mais denúncias.

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