/>
Evangélicos avançam nas periferias e consolidam protagonismo social no Brasil

Evangélicos avançam nas periferias e consolidam protagonismo social no Brasil

Livro que será lançado em 13 de maio analisa o crescimento do segmento entre pardos e pretos e propõe uma leitura sobre fé, identidade e influência social no país
O avanço dos evangélicos no Brasil, especialmente entre populações negras e periféricas, deixou de ser apenas uma mudança religiosa e passou a redesenhar o comportamento social e político do país. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que os evangélicos já representam 26,9% da população, enquanto o número de católicos caiu para 56,7%. Dentro desse grupo, a maioria é formada por brasileiros pardos e pretos, que somam mais de 60% dos fiéis.

É a partir desse cenário que o teólogo Samuel Silva lança o livro “Evangélicos: Ignorantes, Pretos, Pobres, Pardos, Periféricos ou Protagonistas”, no próximo dia 13 de maio, em São Paulo. 
Imagem: Divulgação
A escolha da data não é aleatória: o lançamento ocorre no mesmo dia da abolição da escravidão no Brasil, reforçando a proposta da obra de discutir identidade, autonomia e protagonismo histórico.

Ao longo do livro, o autor propõe uma mudança de perspectiva sobre os evangélicos, frequentemente retratados de forma estigmatizada no debate público.

“Existe uma tendência de tratar o evangélico periférico como alguém sem capacidade crítica, quando, na prática, estamos falando de pessoas que interpretam a realidade, tomam decisões e constroem caminhos próprios”, afirma Samuel Silva.

A obra parte de dados demográficos e avança para uma análise sociológica e teológica do fenômeno, conectando o crescimento das igrejas pentecostais à formação de redes de apoio, pertencimento e mobilidade social em comunidades historicamente vulneráveis.

Fé, identidade e transformação social

Um dos eixos centrais do livro é a ideia de que a fé, mais do que um elemento espiritual, atua como ferramenta de reorganização social.

“O que vemos nas periferias não é passividade, mas reconstrução. A fé tem sido um instrumento de fortalecimento individual, familiar e comunitário”, destaca o teólogo.

Sem adotar um tom ideológico direto, a obra também aborda como a presença evangélica passou a influenciar decisões e posicionamentos em diferentes esferas da sociedade, inclusive no campo político — não como um movimento homogêneo, mas como reflexo de uma base social em transformação.

O prefácio, assinado pelo pastor Tassos Lycurgo, reforça o caráter provocativo da publicação.

“Este livro provocará concordâncias e desconfortos — e isso é um bom sinal. Ele convida à reflexão sobre responsabilidade individual e reconstrução, sem ignorar as injustiças sociais”, escreve.

Da marginalização ao protagonismo

Ao longo da narrativa, Samuel Silva também revisita a formação histórica do cristianismo no Brasil e o contraste entre a tradição católica e a expansão protestante, destacando o papel das igrejas evangélicas na ocupação de espaços onde o Estado muitas vezes não chega.

A obra propõe, assim, uma releitura do lugar social do evangélico brasileiro — não mais como figura secundária, mas como agente ativo na construção de sua própria trajetória.

“Estamos diante de um grupo que deixou de ser apenas objeto de análise para se tornar sujeito da própria história”, resume o autor.

O autor também é pastor evangélico da Igreja Batista do Povo, instituição com mais de cinco décadas de atuação em São Paulo, reconhecida por iniciativas sociais e projetos voltados à comunidades em situação de vulnerabilidade.

Quem é Samuel Silva

    Teólogo, com formação pelo Instituto Vale da Bênção e pela Faculdade Unida (ES);
    Mestre em “Fé e Política” pela Faculdade Teológica Batista de São Paulo;

    Especialização em Liderança Missional na Inglaterra;
    Pastor evangélico com atuação há mais de 20 anos em mobilização missionária e projetos sociais;
    Integra a Igreja Batista do Povo (SP), com foco em expansão missionária e implantação de igrejas no sertão brasileiro;
    Idealizador do Projeto Refúgio, iniciativa que já apoiou mais de mil imigrantes e refugiados em São Paulo;
    Autor de obras que analisam a relação entre fé, sociedade e comportamento social no Brasil contemporâneo;
    Também é autor de livros que abordam o diálogo entre cristianismo e islamismo, como “A Bíblia aos Olhos do Islã” e “O Último Profeta: Jesus ou Maomé?”.

Postar um comentário

0 Comentários

Close Menu