Público pode conferir até 22 de maio a trajetória do poeta, músico, compositor e ativista do Movimento Negro
Nesta quarta-feira (29 de abril) completam-se os dois anos da morte de
um dos artistas mais importantes da região: Julinho dos Palmares. Para
manter vivo o legado de sua obra, a Prefeitura de Volta Redonda, por
meio da Secretaria Municipal de Cultura (SMC), mantém em cartaz até 22
de maio, no Memorial Zumbi, a exposição que leva o nome do poeta,
músico, compositor e ativista do Movimento Negro, morto aos 77 anos. A
curadoria é de Ana Balarin, e a mostra integra a segunda edição do
Circuito das Artes. A entrada é gratuita, e o espaço fica aberto de
segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.
Nascida como um tributo sensível e necessário à memória de
Julinho, a mostra reúne fotografias e registros dos últimos anos de vida
do poeta, acompanhados de objetos pessoais e composições que integram o
acervo do artista. O conjunto revela não apenas sua produção artística,
mas também sua presença humana, sua militância e sua relação profunda
com a cultura popular.
A mostra busca celebrar a vida, obra e trajetória de um dos
nomes mais importantes das artes e da cultura popular do Sul Fluminense.
Nascido em 15 de abril de 1947 na vizinha Barra do Piraí, e batizado
Júlio Camilo, Julinho criou raízes em Volta Redonda e construiu uma
trajetória profundamente conectada às raízes e à identidade do povo do
interior.
Por isso mesmo, assumiu com orgulho a identidade
“Papagoiaba”, ressignificando de forma positiva uma expressão
historicamente usada de maneira pejorativa, transformando-a em símbolo
de pertencimento, resistência e afeto. Com sua obra e engajamento no
Movimento Negro, deixou um legado marcado pela força da poesia
afro-brasileira, pela música e pela defesa das causas sociais.
A responsável por montar a exposição foi a fotógrafa e
produtora cultural Ana Balarin – que também foi amiga próxima de Julinho
–, que teve como norte selecionar as obras com respeito, carinho e
sensibilidade. A exposição convida o público a mergulhar na potência
poética, musical e política de um artista que transformou sua arte em
instrumento de memória, identidade e transformação social.


0 Comentários