A Fiesp revisou a projeção de crescimento da produção industrial de 0,9% para 1,4% em 2026. A estimativa é baseada no cenário que se apresenta após dados com ajuste sazonal apontarem que a produção industrial avançou 0,7% em abril, após alta de 0,3% em março.
Análise de desempenho
O resultado do mês veio em linha com a projeção da Fiesp e acima da expectativa do mercado (+0,3%). O desempenho se deu pelo aumento da indústria extrativa (+3,1%) e da indústria de transformação (+0,3%). Em comparação com abril de 2025, houve alta de 2,7%.
Gráfico 1 – Produção Industrial — Indústria Geral
Variação mensal
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Fonte: elaboração Fiesp a partir de dados do IBGE.
Por outro lado, entre as 11 atividades que mostraram recuo na produção, a de produtos químicos (-3,9%) exerceu a principal influência na média da indústria e eliminou parte do avanço de 4,5% verificado em março de 2026.
Em relação às grandes categorias econômicas, na comparação com março e sem influências sazonais, bens intermediários (+1,5%) e bens de capital (+0,1%) registraram avanço em abril.
Por outro lado, bens de consumo semi e não duráveis (-0,2%) e bens de consumo duráveis (-3,2%) assinalaram os resultados negativos.
Na variação acumulada em 12 meses, a produção industrial registra alta de 0,7%, apresentando um ritmo de crescimento mais alto que o observado em março de 2026 nessa mesma métrica (+0,4%) – Gráfico 2.
Além disso, a indústria de transformação apresentou redução de 0,5%. A produção da indústria extrativa, por sua vez, registrou alta de 7,3% em 12 meses.
Gráfico 2 – Produção Industrial – Indústria Geral
Variação acumulada em 12 meses
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Fonte: elaboração Fiesp a partir de dados do IBGE.
Nessa mesma métrica, o resultado por categorias de uso mostra uma desaceleração significativa no segmento de bens de capital (-4,1%) e, em menor medida, em bens de consumo semiduráveis e não duráveis (-0,9%) – Gráfico 3.
Gráfico 3 – Produção Industrial – Categorias de uso
Variação acumulada em 12 meses
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Fonte: elaboração Depecon/ Fiesp a partir de dados do IBGE.
A indústria geral deve apresentar crescimento, sustentada sobretudo pela indústria extrativa. Já a indústria de transformação deve enfrentar maiores dificuldades ao longo do ano, refletindo sua maior sensibilidade aos juros elevados, pressão de custos, elevado endividamento e ao ambiente externo mais incerto.
Na indústria de transformação, observa-se que, em abril, permaneceu dominante o conjunto de setores com produção em estabilidade, ou seja, que não aceleraram nem desaceleraram em relação à média histórica, como mostra o Mapa de Calor da Indústria (Figura 1).
Dos 24 segmentos analisados, 5 estavam em aceleração, 14 se mantinham estáveis e 5 desaceleravam. Na comparação com abril de 2025, cresceu de forma considerável o número de setores estáveis ou em desaceleração, sinal de perda de fôlego da atividade.
Figura 1 – Mapa de Calor da Indústria (Abr/25 – Abr/26)
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Fonte: elaboração Fiesp a partir de dados do IBGE
As pressões inflacionárias decorrentes desse quadro tendem a comprimir a renda disponível das famílias e podem levar o Banco Central a reduzir a taxa de juros em ritmo mais lento do que o esperado. Soma-se a esse quadro a revisão para baixo das perspectivas de crescimento global.
As incertezas externas também se intensificam no campo comercial. Medidas anunciadas pelos Estados Unidos, como a possível imposição de novas tarifas sobre bens importados, podem tornar as perspectivas para a indústria ainda mais adversas.
A experiência recente indica que, no ano passado, a imposição de tarifas reduziu as exportações da indústria de transformação brasileira para os EUA em 8,6% no segundo semestre de 2025 (período de maior impacto das medidas tarifárias) em relação ao mesmo período do ano anterior.
Em conjunto, esses fatores tendem a afetar o setor industrial brasileiro por meio da redução da demanda externa e do aumento dos custos ao longo da cadeia produtiva.
Internamente, o nível ainda elevado da taxa de juros, as pressões inflacionárias, o alto endividamento das famílias e a inadimplência seguem limitando novas decisões de investimento e consumo. Com o encurtamento dos prazos de crédito e a manutenção dos juros em patamares elevados, aumentou também a parcela da renda comprometida com o pagamento de dívidas.
Esse quadro já se reflete em pesquisas setoriais recentes. A pesquisa PMI (Índice de Gerentes de Compras) da Indústria do Brasil, da S&P Global, indicou que maio foi um mês difícil para os fabricantes brasileiros. Houve forte queda nos novos solicitados de exportação, contribuindo para mais uma retração das vendas gerais e sinalizando menor disposição dos clientes em ampliar estoques.
Segundo a pesquisa, as pressões inflacionárias e as restrições orçamentárias enfraquecem a demanda. Diante de um dos principais aumentos nos custos de insumos dos últimos cinco anos, os fabricantes elevaram seus preços e reduziram as compras de matérias-primas. As empresas monitoradas atribuíram a alta de diversos custos principalmente à guerra no Oriente Médio e ao aumento dos preços da energia.
Os preços dos produtos industriais registraram o segundo maior avanço desde meados de 2021, ficando atrás apenas do observado em abril e bem acima da média histórica. Em muitos casos, o reajuste refletiu o repasse dos custos aos consumidores. Em resposta à continuidade da queda dos pedidos, os fabricantes também reduziram significativamente os volumes de produção ao longo do segundo trimestre.
Na mesma direção, o Índice de Confiança do Empresário Industrial de São Paulo (ICEI-SP) de maio, apurado pela Fiesp em parceria com a CNI, aponta pessimismo entre os empresários industriais. O índice encerrou o mês em 45,7 pontos, resultado 1,3 ponto inferior ao observado no mesmo período do ano passado, quando marcou 47,0 pontos. A permanência abaixo da linha dos 50 pontos sinaliza a continuidade do pessimismo no setor.
Em contrapartida, estímulos governamentais trazem um viés de alta para a atividade industrial ao longo de 2026. Entre elas, destacam-se a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, os programas Move Aplicativos[1], Move Brasil[2] e Reforma Casa Brasil[3], além do fortalecimento do Minha Casa Minha Vida. Também pode contribuir para esse movimento o avanço dos investimentos públicos dos governos subnacionais, especialmente dos estados.
Diante desse cenário, a Fiesp revisou a projeção de crescimento da produção industrial de 0,9% para 1,4% em 2026, após o avanço de 0,6% observado no ano anterior. A perspectiva positiva para a indústria geral segue amparada pelo desempenho da atividade extrativa. Para esse segmento, projetamos crescimento de 6,9% neste ano, ante 4,9% em 2025. Já a indústria de transformação deve apresentar desempenho estável (0%), após queda de 0,2% em 2025.
[1] Programa federal de crédito para taxistas e motoristas de aplicativos financiarem veículos novos de até R$ 150 mil. A iniciativa busca renovar a frota do transporte individual de passageiros, com preferência por modelos mais sustentáveis. A medida autoriza até R$ 30 bilhões em operações de crédito.
[2] O programa Move Brasil é voltado ao financiamento da renovação e ampliação da frota de caminhões, ônibus urbanos e implementos rodoviários, com previsão de cerca de R$ 21 bilhões em linhas de crédito. Em janeiro de 2026, o programa já havia disponibilizado R$ 10 bilhões, totalizando mais de 8 mil operações de compra de caminhões novos.
[3] O Reforma Casa Brasil é uma modalidade do Minha Casa, Minha Vida voltada ao financiamento de reformas, ampliações e melhorias em moradias populares, com recursos do Fundo Social. Para 2026, a dotação orçamentária prevista para o programa é de R$ 24,8 bilhões.


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