/>
Gasto Brasil aponta despesa de R$ 322,4 bilhões no Sudeste em 2026

Gasto Brasil aponta despesa de R$ 322,4 bilhões no Sudeste em 2026

Plataforma da CACB e ACSP reúne informações sobre o custo com recursos humanos, previdência, encargos e obras, entre outros

A despesa pública primária dos estados da Região Sudeste chegou a R$ 322,4 bilhões em 2026, segundo dados da plataforma Gasto Brasil. Criada em 2025 pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), em parceria com a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a ferramenta reúne informações online (da União, Distrito Federal, estados e municípios) sobre despesas com pessoal, previdência, encargos sociais e investimentos, incluindo obras, aquisição de imóveis e outros gastos públicos.

De acordo com informações do Sudeste, no Espírito Santo (ES), com mais de 3,8 milhões de habitantes, o Gasto Brasil chegou a R$ 18,4 bilhões, entre 1º de janeiro e 22 de julho, o que representa uma despesa per capita de aproximadamente R$ 4,8 mil. O valor das despesas até a data do levantamento correspondeu a 8,76% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual de 2025, que foi de R$ 209,8 bilhões.

Em Minas Gerais (MG), os números apontaram um total de R$ 72,9 bilhões em despesas públicas neste ano. Com uma população de 20,5 milhões, o cruzamento de dados revelou um gasto de R$ 3,5 mil por pessoa. Quanto ao PIB mineiro, que em 2025 atingiu R$ 972 bilhões, o Gasto Brasil parcial deste ano correspondeu a 7,5%.

No estado do Rio de Janeiro (RJ), com 16 milhões de habitantes, a despesa pública em 2026 chegou a R$ 65,9 bilhões, projetando um custo per capita de R$ 4,1 mil e um consumo correspondente a 5,6% do PIB de 2025 (R$ 1,17 trilhão).

De acordo com dados deste ano, São Paulo (SP), com população de 44,4 milhões, teve despesa pública no total de R$ 165,2 bilhões, o que equivale a R$ 3,7 mil por habitante. Até a data do levantamento, o Gasto Brasil representou 4,8% do PIB do estado em 2025, que foi de mais de R$ 3,4 trilhões.

Em âmbito nacional (União, DF, estados e municípios), a despesa governamental atingiu a marca de R$ 3,1 trilhões. Desde o início de 2026, o governo federal respondeu por mais de R$ 1,4 trilhão (46% do total) do gasto público. Do restante, os estados consumiram R$ 843,7 bilhões e os municípios, R$ 827,2 bilhões.

Outro dado importante é que, na comparação com dados do Impostômetro, apurados no mesmo dia, a despesa pública supera em mais de R$ 800 bilhões o valor total da arrecadação de impostos no país (R$ 2,2 trilhões).

Monitoramento

De acordo com o coordenador da plataforma Gasto Brasil, Cláudio Queiroz, a proposta da CACB e ACSP é tornar acessível à sociedade os dados sobre as despesas públicas, reunidas em um só lugar. “A ferramenta unifica informações oficiais e apresentá-las de forma mais simples, permitindo que qualquer cidadão acompanhe os gastos da União, dos estados e dos municípios”, afirma.

Para o presidente da CACB, Alfredo Cotait Neto, esse acompanhamento permanente das contas públicas é fundamental para aumentar a eficiência do Estado. “O país precisa avançar com a reforma administrativa, no fortalecimento do planejamento com eficiência da gestão pública, no controle fiscal e no estabelecimento de critérios claros para investimentos”, afirma Cotait.

Busca de equilíbrio

Para o diretor financeiro da CACB e presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado de Minas Gerais (Federaminas), Valmir Rodrigues, o equilíbrio fiscal é um dos pilares para garantir a estabilidade econômica e a competitividade das empresas. Ele reforça que o país não pode gastar acima da capacidade de arrecadação e, ao mesmo tempo, precisa avaliar a qualidade das despesas públicas.

Na avaliação de Rodrigues, o aumento da arrecadação sem equilíbrio pode comprometer o ambiente de negócios, reduzindo a competitividade das empresas e dificultando sua permanência no mercado. “Uma empresa que perde competitividade acaba ficando fora do mercado”, afirmou o dirigente.

Já a presidente da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp), Sandra Brandani, defende que o Brasil precisa tornar os gastos públicos mais eficientes. Para ela, o país não enfrenta um problema de falta de recursos, mas, sim, de qualidade na aplicação do dinheiro público. “O Brasil já gasta muito. O problema é que gasta mal”, resume.

Ao falar da criação da ferramenta, Brandini afirma que são necessários três pilares essenciais para mudar o cenário: transparência, regras fiscais mais efetivas e uma gestão pública voltada para a eficiência.

Desafio para a economia

Marcos Pestana, diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão técnico e apartidário vinculado ao Senado Federal, avalia que o principal desafio da economia brasileira em 2026 continua sendo o desequilíbrio das contas públicas. Para ele, a disciplina fiscal é um dos pilares de uma política econômica sólida, e a persistência de déficits primários vem comprometendo o crescimento sustentável do país.

“Em 2026, completamos o 13º ano consecutivo de déficit primário. Isso provoca um crescimento acelerado da dívida pública, reduz a confiança na economia e pressiona tanto a inflação quanto a taxa de juros”, explica.

Lançamento na Câmara

Para ampliar a divulgação dos dados sobre despesas públicas, a CACB e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) farão o lançamento do “Painel Gasto Brasil” na Câmara dos Deputados, no dia 11 de agosto.

A solenidade será às 15h30, no Salão Nobre da Câmara, com as presenças dos presidentes da CACB, Alfredo Cotait Neto, e da CNA, João Martins. Também haverá a exposição do “Painel Gasto Brasil”, que ficará até o dia 13 de agosto no Espaço Mário Covas.

Na ocasião, serão lançadas novas funcionalidades na plataforma para aumentar ainda mais o nível de transparência de dados para a população, com recortes econômicos, valores mais detalhados por população, índice de qualidade da informação e outros dados relevantes.

Postar um comentário

0 Comentários

Close Menu