Provedores regionais ampliam oferta de TV e streaming para aumentar o valor das assinaturas e reduzir a dependência da competição por preço
![]() |
| TV e streaming passam a integrar estratégias dos provedores regionais para diferenciar planos de banda larga (Foto: Divulgação) |
Preço e velocidade já não bastam para diferenciar os planos de banda larga. Com ofertas cada vez mais semelhantes, a competição baseada nesses atributos pressiona as margens dos provedores e nem sempre se traduz em maior valor percebido pelo consumidor, levando empresas regionais a ampliar a oferta de TV associada à outros serviços digitais como estratégia para agregar valor às assinaturas, fidelizar clientes e criar novas fontes de receita.
Para Carolina Straccia, porta-voz da MultTV, empresa especializada em soluções de TV por assinatura e streaming para provedores regionais, o problema está na própria dinâmica da competição. Quando uma empresa reduz o preço ou aumenta a velocidade sem acrescentar valor à oferta, os concorrentes tendem a acompanhar o movimento. O resultado é um ciclo de mais entrega por menos dinheiro. “Para o provedor, reduzir continuamente a mensalidade significa trabalhar com margens menores e limitar os recursos disponíveis para investimentos”, explica.
A velocidade enfrenta uma questão semelhante. Ela permanece relevante, mas a diferença entre planos cada vez mais rápidos nem sempre é identificada em igual proporção pelo usuário final. Segundo Carolina, muitos consumidores percebem pouca mudança ao contratar um plano com o dobro da velocidade anterior. Com ofertas mais próximas, outros atributos passam a pesar na escolha. "Creio que seja o conjunto de uma experiência no serviço que faça a diferença: preço aliado à qualidade, atendimento, credibilidade e benefícios. O consumidor busca cada vez mais perceber que está recebendo mais valor pelo que paga, ver 'custo-benefício' e não apenas 'custo'", afirma.
A conexão é apenas o ponto de partida
A mudança leva os provedores a repensarem o que está sendo vendido. Em vez de tratar a banda larga como o produto final, a conexão passa a ser uma porta de entrada para outros serviços. Na prática, isso significa oferecer ao cliente uma combinação de internet e soluções digitais capazes de atender diferentes necessidades. Entre as possibilidades estão entretenimento, televisão, segurança, telefonia, serviços de armazenamento em nuvem e soluções para casas conectadas.
O critério, conta Carolina, é a relevância para o consumidor: "Significa iniciar a venda da banda larga como uma porta de entrada para outros serviços. Em vez de vender apenas internet, o provedor oferece uma experiência completa, com soluções que fazem a diferença no dia a dia do consumidor".
Entretenimento como diferencial
Gerando valor percebido no uso cotidiano, os serviços de entretenimento ocupam uma posição particularmente estratégica neste cenário. Hoje, a televisão, os filmes, as séries, os esportes e o conteúdo infantil aumentam a frequência de utilização dos serviços oferecidos pelo provedor e fortalecem a relação com a marca. A lógica é que o consumidor compare o conjunto, e não apenas cada serviço individualmente. "Existe todo tipo de perfil, mas aqui entra a oportunidade do 'combo'. Criar pacotes com vários produtos atrelados que entregam mais valor pelo mesmo investimento", resume a porta-voz.
Números apresentados pela MultTV não apenas demonstram esse viés, como apontam para uma mudança na demanda dos próprios provedores. Segundo Carolina, o volume de interessados nas soluções de TV e streaming da empresa triplicou em dois anos.
No mesmo período, o valor dos novos negócios da MULTTV cresceu cerca de 200%. Segundo ela, o avanço ocorreu não apenas na quantidade de parceiros, mas também no porte dos contratos conquistados.
Paralelamente, o mercado de provedores também demonstra uma busca crescente por outros serviços que vão além da conectividade. “Vemos que a procura não se limita à banda larga. Entre os serviços adicionais buscados pelos provedores estão aplicativos de streaming, conteúdos esportivos, telemedicina, livros digitais e outros serviços digitais. O objetivo é encontrar produtos que consigam combinar interesse do consumidor e potencial de geração de receita para o provedor”.
Carolina define esse movimento como a transformação do provedor em um hub de serviços digitais: uma empresa capaz de reunir conectividade, entretenimento e outras soluções em torno de uma mesma oferta e, o que veremos nos próximos anos, é um mercado cada vez mais ligado à praticidade de contratar diferentes serviços de um único fornecedor. "Acredito que esse movimento já começou. E nesse modelo, a proximidade é uma vantagem dos provedores regionais. Por conhecer melhor a comunidade em que atua, a empresa pode identificar necessidades locais, adaptar sua oferta e manter um atendimento mais próximo, que é a preferência da imensa maioria dos consumidores”, finaliza.



0 Comentários