Especialista em segurança digital avalia a mudança do Banco Central, explica o golpe que motivou a medida e alerta: a regra ajuda a recuperar o prejuízo depois, não a evitar o golpe antes
São Paulo, 2 de setembro de 2026 — Entrou em vigor no dia 1º de setembro uma nova regra de segurança do Pix. Por meio da Instrução Normativa nº 766, o Banco Central ampliou de 30 para 80 dias o prazo para contestar uma devolução feita pelo Mecanismo Especial de Devolução, o MED, quando há suspeita de que o pedido de devolução foi fraudulento.Na prática, a medida dá mais tempo de reação a quem foi vítima desse tipo de golpe, que atinge principalmente comerciantes e pequenos negócios, e se soma ao MED 2.0, tecnologia que permite rastrear o dinheiro à medida que ele passa por várias contas.
Para Gustavo Marquini, especialista em cibersegurança e fundador do Davi, ecossistema de segurança digital voltado à prevenção de fraudes, a mudança é bem-vinda, mas precisa ser lida com clareza. "Foi um avanço e o Banco Central acertou. Mas eu quero que as pessoas entendam o que a regra faz: ela dá mais tempo pra você correr atrás do prejuízo depois que o golpe já aconteceu. Ela não impede o golpe. E, pra mim, o melhor golpe continua sendo aquele que não acontece", afirma.
O golpe que motivou a medida
Marquini explica a mecânica que levou o Banco Central a ampliar o prazo. "Nesse golpe, o criminoso faz um Pix pro comerciante e depois diz que enviou por engano, pedindo o dinheiro de volta numa nova transferência. Só que ele também aciona a devolução da transação original. No fim, ele tenta receber o mesmo valor duas vezes, e quem fica no prejuízo é o lojista", explica. Segundo ele, a vítima costuma demorar a perceber a manobra, e era esse tempo curto que a nova regra corrigiu. "Muitas vezes a pessoa só descobre dias depois, quando olha o extrato com calma. Com trinta dias, muita gente perdia o prazo. Com oitenta, dá tempo de reagir."
O rastreamento ajuda, mas tem limite
Sobre o MED 2.0, o especialista pondera que a tecnologia aumenta as chances de recuperação, sem ser uma garantia. "Seguir o caminho do dinheiro é ótimo, mas tem um limite claro. Se o golpista saca o valor em espécie antes da fraude ser percebida, a trilha some e recuperar fica muito mais difícil. É por isso que eu insisto na prevenção. Recuperar é incerto. Não cair está mais ao seu alcance", diz.
O que fazer, na prática
A orientação central de Marquini é objetiva e vale para qualquer pessoa que usa o Pix. "Pra devolver um valor, use sempre a opção de reembolso ligada à transação original dentro do aplicativo do banco, nunca uma nova transferência pra outra chave. Essa diferença é o que separa uma devolução segura de um golpe", orienta. Ele reforça que a pressa é o principal sinal de alerta. "Golpe de Pix quase sempre vem com pressa e com uma história convincente. Quando alguém te apressa pra devolver, transferir ou confirmar alguma coisa, é hora de parar, não de agir."
A orientação central de Marquini é objetiva e vale para qualquer pessoa que usa o Pix. "Pra devolver um valor, use sempre a opção de reembolso ligada à transação original dentro do aplicativo do banco, nunca uma nova transferência pra outra chave. Essa diferença é o que separa uma devolução segura de um golpe", orienta. Ele reforça que a pressa é o principal sinal de alerta. "Golpe de Pix quase sempre vem com pressa e com uma história convincente. Quando alguém te apressa pra devolver, transferir ou confirmar alguma coisa, é hora de parar, não de agir."
Para Marquini, a lição é que boas regras e bons hábitos se completam. "A regra do Banco Central é importante, mas ela age depois que o problema aconteceu. O que evita o prejuízo antes é o seu cuidado no dia a dia. Quem se protege antes não precisa correr atrás depois", conclui.


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