A família do empresário José Jair Farias acredita que a briga por
dinheiro entre ele e sua mulher, a advogada Ieda Cristina Martins, podem
ter sido o que motivou o seu assassinato, em dezembro de 2005. Ieda e
seu atual companheiro, o publicitário Eduardo Tavares Pinto Martins, são
apontados pelo delegado da 36ª DP (Santa Cruz), Geraldo Assed, como
suspeitos de participar do crime. O casal é investigado ainda pela morte
do zelador Jezi Lopes de Souza, em São Paulo.
- Depois que eles
terminaram a relação, a Ieda pedia dinheiro a o José com frequência.
Inclusive, ela chantageava meu irmão, e só permitia que ele visse o
filho se desse alguma quantia a ela. As suspeitas recaem sobre eles,
inclusive porque o José já tinha sido ameaçado pelo Eduardo com uma
arma. Mas vamos esperar que a polícia trabalhe - ponderou o aposentado
João Almir de Farias, de 65 anos, irmão da vítima.
O publicitário EduardoEduardo Tadeu, ao ser preso, em SP Foto: Marco Ambrosio / Agência O Globo O estopim para o crime, acredita Jair, foi o fato de José não ter aceitado passar para o nome de Ieda um motohome, espécie de trailer que valia R$ 120 mil.
-
Ela já tinha levado R$ 100 mil do meu irmão, dinheiro que seria usado
por ele para pagar o 13º salário de seus funcionários, mas não estava
satisfeita. Queria mais, como sempre - recorda o aposentado.
Foto: Reprodução Numa
carta que a família de José diz ter sido escrita por Ieda após ó
término de seu relacionamento com o empresário, que durou cerca de 5
anos, a advogada pede R$ 1 mil ao ex-marido para ajudar com algumas
despesas. “Meu amor, por favor te peço mais uma vez, não fique com raiva
de mim. Pois só tenho muito amor por você (...) Penso mais nas crianças
(...) Prometo que quando eu tiver lhe ajudarei sempre. Pois nós somos
uma família”, implorou Ieda na correspondência. Nove anos de investigações
Nesta
quinta-feira, o delegado Geraldo Assed ouviu o filho de Ieda com José,
um jovem de 18 anos, além de um irmão da advogada. Outros familiares dos
dois também já foram prestaram depoimento. No início da próxima semana,
Assed vai a São Paulo ouvir Eduardo.
- Os únicos suspeitos, por
enquanto, são Eduardo e a Ieda, pois só os dois tinham problemas com a
vítima. Eles tinham desavenças com José que envolviam dinheiro e
relacionamento. Mas ainda precisamos de provas concretas do crime. Isso
ainda não temos - ponderou o delegado.
O inquérito que apura a
morte de José Jair já dura 9 anos, sem que tenha sido concluído. Nesse
período, de acordo com a Polícia Civil, as investigações estavam em
andamento e foram ouvidas dez testemunhas, entre familiares da vítima e
de Ieda. Os últimos depoimentos do caso foram colhidos em 2013.
A polícia também afirma que solicitou medidas cautelares nesse período, como as quebras dos sigilos telefônico e bancário. Buscas
Nesta
quinta-feira, a Polícia Civil de São Paulo encontrou documentos falsos
na casa de Eduardo. Ele está preso temporariamente pela morte de um
zelador e confessou o crime. Ieda também teve prisão decretada por
suspeita de participação na morte, mas conseguiu liberdade. De acordo
com policiais envolvidos na prisão, o publicitário confessou o crime e
acrescentou que a motivação foram desavenças que tinha com a vítima.
Zelador Jezi Lopes de Souza, de 63 anos, encontrado esquartejado em São Paulo Foto: Reprodução / TV Globo Eduardo
e Ieda teriam se conhecido pela internet em 2001. No ano seguinte, José
Jair registrou uma ocorrência contra o publicitário por ameaça. Na
delegacia, disse ter ido resolver um problema com a ex-mulher, quando
foi interpelado por Eduardo.
Em 20 de dezembro de 2005, o corpo de
Jair foi encontrado com dois tiros, dentro de seu Corsa prata, na
Estrada dos Palmares, em Santa Cruz. Um projétil e um estojo de uma
pistola calibre PT 380 foram encontrados no local.
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