“Ele foi muito ríspido. Me desrespeitou. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”.
Líder da Frente das Mulheres pelo Partido Liberal disse que se sentiu traída ao saber que os filhos do marido têm conspirado contra ela desde então, ao assumir a missão de trabalhar com as mulheres em eventos por todo o país.
— Eu saí fazendo as alianças necessárias para que as companheiras dos aliados tivessem a oportunidade de militar em causa das mulheres pelo país. Deixamos mais de 40% delas à frente de movimentos no partido, e tudo aconteceu após o nosso trabalho — destacou.
A decisão de falar tudo o que sente e passa, Michelle relatou que não aguentava mais ficar calada, sendo excluída do projeto em que o seu próprio marido a ensejou. "Ele me deu a missão para realizar o trabalho que, até então, o partido não tinha tido a atenção para que pudéssemos trabalhar."
Até agora eu tentei não expor a família, pensando muito no meu marido, mas não dá mais. Então, eu vim pra falar.Tudo começou em 2023. Meu marido estava voltando dos Estados Unidos. Ele ia assumir a presidência de honra do Partido Liberal. Ele e o presidente Valdemar conversavam sobre os rumos do partido e perceberam uma lacuna: as mulheres. Eles me convidaram para assumir o PL Mulher como presidente nacional. Eu aceitei. Vi as postagens do Flávio contra mim nas redes sociais, palavras duras, tão agressivo, defendendo André Fernandes e, em consequência, apoiando a aliança com o homem que chamou a ele, à mãe e a seus irmãos de corruptos e de ovos de serpentes nazistoides. E não foi só ele. Os irmãos vieram juntos, de forma coordenada, com textos bem parecidos uns com os outros. Pareceu combinado, premeditado.
Peguei o telefone, procurei mensagens do Flávio, procurei uma ligação perdida, procurei qualquer sinal de que ele tinha tentado falar comigo antes de falar para o Brasil. Não tinha nada.
Eu fiquei triste, porque eu não imaginava que eles teriam essa reação. Eu redigi uma nota, disse que lamentava se eles se sentiam afrontados, que respeitava a opinião deles, pedi perdão, mas disse também, e vou repetir aqui, que eu tenho o direito de achar errada uma aliança com quem sempre se declarou inimigo do pai deles.
Eu não vou trocar valores por pragmatismo político oportunista. Também não estou impedindo ninguém de fazê-lo, mas acho errado fazê-lo no primeiro turno.
Ciro não terá meu apoio nunca e, na minha opinião, não deveria ter de ninguém da direita que apoie Bolsonaro. Voltando ao Flávio, telefonei para ele, tentei algumas vezes, mas ele não atendeu. Algumas horas depois da postagem, ele retornou a ligação. Mas, sinceramente, para falar o que ele me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone. E eu não tinha feito nada contra ele.
Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. Mas, para ele e alguns que o cercam, eu não entendo de política. Tudo bem.
Tudo bem, eu me recolhi e, desde esse dia, ele não me procurou mais. Eu também não procurei, porque estou respeitando o que ele falou e é só isso. Eles me tratam como se eu fosse idiota, como se eu fosse alguém que chegou ontem, mas eu não sou. Primeiro, eu nunca pedi, cobrei ou condicionei desculpas públicas de ninguém. Perdoar?
Não é o mesmo que esquecer o querer continuar o relacionamento. Segundo, não estou exigindo que se disfarce nenhuma aliança no Ceará, mas que adiem para o segundo turno. Eu sou contra ela, mas a coerência obriga que isso aconteça apenas no segundo turno.
É preciso dar chance ao candidato que verdadeiramente se enquadra e defende os nossos valores. Já disse que considera um erro, uma traição aos valores das pessoas de bem. Mas os caciques do partido no Estado estão ignorando o perigo.
Cada um responderá pelos seus atos. Ciro Gomes já provou inúmeras vezes não ser confiável. E ele não esconde isso. É só uma questão de tempo para ele se voltar contra a direita.
Todos foram avisados, em especial dentro do partido, e serão lembrados disso. Terceiro, o Flávio vai à minha casa toda semana. Mais de uma vez, se ele realmente quisesse falar comigo, já teria falado. Se considerasse necessário o meu apoio, já teria conversado. Estou na minha. Continuarei recolhida. Quarto,
As tais fontes espalharam para a imprensa que eu teria ficado com raiva porque queria ter sido candidata. Mas tem uma última coisa que preciso dizer, o que dói de um jeito diferente de tudo que falei até aqui. O grupo de maledicência coordenada a partir de quem está no exterior continua agindo e me atacando todos os dias. Alguns deles até continuam aparecendo em fotos com o Flávio.
Eles fazem postagens e vídeos retirando do meu nome o sobrenome Bolsonaro, na tentativa de me atingir. Mas será que eles pensam no que estão provocando na vida da minha filha? Ela é uma adolescente que acompanha tudo, que lê tudo e que sente tudo.
Será que, na irresponsabilidade deles, eles imaginam o que estão fazendo com ela? Para eles, tudo é política. É uma política que não existe em função do ser humano. Esse tipo de política não serve para nada além de egoísmo.



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