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Memória da resistência caiçara e produção artística contemporânea ocupam as exposições da Casa Paraty durante a 24ª Flip

Memória da resistência caiçara e produção artística contemporânea ocupam as exposições da Casa Paraty durante a 24ª Flip

A Casa Paraty apresenta, durante a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), duas exposições que colocam em evidência a memória, a identidade e a produção artística do território caiçara. Integrando a programação do espaço, as mostras "Trindade: Quando o Território Virou Luta" e a Galeria de Arte Popular convidam moradores e visitantes a conhecer diferentes dimensões da história e da cultura de Paraty por meio da fotografia, da pintura, da escultura, da cerâmica e de outras linguagens das artes visuais.

A exposição "Trindade: Quando o Território Virou Luta" reúne fotografias do acervo da Associação de Moradores de Trindade (AMOT), preservando a memória de um dos mais importantes movimentos de resistência das comunidades tradicionais brasileiras. As imagens retratam o período entre o fim da década de 1970 e o início dos anos 1980, quando, após a abertura da Rodovia Rio-Santos, a comunidade passou a enfrentar intensa pressão da especulação imobiliária.

Na época, uma empresa multinacional reivindicou a posse das terras ocupadas por gerações de famílias caiçaras para implantação de um grande empreendimento turístico, em meio ao contexto da ditadura militar. Durante quase dez anos, moradores resistiram a ameaças, despejos, episódios de violência e à destruição de roças, defendendo não apenas o direito de permanecer em seu território, mas também seus modos de vida, tradições e vínculos culturais.

Mais do que documentar um conflito fundiário, a mostra registra o surgimento de uma consciência coletiva que ultrapassou os limites da comunidade e se tornou referência na luta pelos direitos das populações tradicionais brasileiras. A vitória dos moradores de Trindade consolidou-se como um marco para o fortalecimento da identidade caiçara em todo o litoral sudeste, reafirmando a preservação do território como elemento indissociável da preservação da memória e da cultura.

Complementando esse percurso, a Galeria de Arte Popular reúne artistas de diferentes gerações e linguagens em uma ampla mostra dedicada à produção artística de Paraty. Entre pinturas, esculturas, cerâmicas e outras expressões das artes visuais, a exposição apresenta um panorama que transita entre tradição e contemporaneidade, evidenciando a criatividade local como expressão permanente da identidade cultural do município.

Com curadoria de Lucio Cruz, Nadaleto, Dalcir Ramiro e Luciana Marsílio, a mostra evidencia diferentes olhares sobre o território e reafirma a arte como instrumento de preservação da memória, valorização das tradições e construção de novas narrativas culturais.

O curador Nadaleto destaca também que a proposta da Galeria de Arte Popular é aproximar diferentes públicos da produção artística de Paraty, reunindo obras de artistas de diversas trajetórias, técnicas e comunidades do município. Segundo ele, a exposição busca evidenciar que a arte é uma forma de expressão acessível e plural, capaz de conectar diferentes realidades e representar a diversidade cultural do território, incluindo produções de comunidades como a Ilha do Araújo e a Praia do Sono.

As exposições da Casa Paraty tem como objetivo oferecer aos visitantes uma experiência que conecta história, identidade, arte e pertencimento, ampliando a compreensão sobre a riqueza cultural de Paraty para além da programação literária do festival. Para o curador Lucio Cruz, a mostra busca ampliar a experiência do público ao aproximá-lo da produção artística local.

"Nossa expectativa é proporcionar uma experiência de contemplação, diálogo e aproximação com a arte. Durante a Flip, quando Paraty se transforma em um grande palco de encontros culturais, queremos que essa exposição seja também um espaço de acolhimento e descoberta. Desejamos que os visitantes possam contemplar a exposição reconhecendo, na diversidade das obras, diferentes formas de interpretar o vínculo com a cultura e valorizando a produção artística de nossa terra", destaca.

Mais do que um espaço expositivo, a Galeria de Arte Popular convida o público a conhecer Paraty a partir do olhar de seus artistas, evidenciando como a produção cultural contemporânea dialoga com a história, os modos de vida e as tradições do território. Ao integrar a programação da Casa Paraty durante a Flip, a mostra contribui para fortalecer a circulação da arte local e ampliar a experiência cultural dos visitantes.

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